22/07/2025
Deputados tentam votar moção de apoio a Bolsonaro na Câmara, mas Hugo Motta proíbe reunião
BRASÍLIA, DF - O presidente da Câmara, Hugo Motta, proibiu a
realização de quaisquer reuniões de comissões da Casa desta terça-feira (22)
até o dia 1º de agosto. O Ato do presidente foi publicado hoje (22), ao mesmo
tempo em que a Comissão de Segurança Pública, presidida pelo deputado Delegado
Paulo Bilynskyj (PL-SP), se preparava para iniciar uma reunião que votaria uma
moção de solidariedade ao ex-presidente Jair Bolsonaro. Desde a última sexta-feira (18), Bolsonaro usa tornozeleira
eletrônica e tem restrições determinadas pela Justiça. “O Presidente da Câmara dos Deputados, no uso de suas
atribuições regimentais, resolve: Fica vedada, no período de 22 de julho a 1º
de agosto de 2025, a realização de reuniões de comissões da Câmara dos
Deputados”, diz o documento assinado por Hugo Motta. A sala da comissão já
estava repleta de deputados da oposição e apoiadores de Jair Bolsonaro quando a
decisão de Motta foi conhecida. Além da comissão de Segurança Pública, outra comissão, de
Relações Exteriores, também comandada pelo PL, partido do ex-presidente, tinha
reunião marcada para mostrar apoio ao ex-presidente. Na impossibilidade de realizar a reunião, deputados do PL
fizeram um pronunciamento à imprensa, atacando o Judiciário brasileiro pelas
investigações contra Jair Bolsonaro e defendendo o ex-presidente. Bolsonaro está sob imposição de medidas cautelares impostas
pelo ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes. Entre
elas, o uso de tornozeleira eletrônica e a proibição de usar redes sociais
diretamente ou por intermédio de terceiros. Moraes entendeu que Jair Bolsonaro e o filho, Eduardo, que
está nos Estados Unidos, fazem um “flagrante confissão” do cometimento de
crimes como coação no curso do processo, obstrução de justiça e tentativa de
abolir o Estado Democrático de Direito. As medidas cautelares foram determinadas no inquérito no
qual o filho do ex-presidente, o deputado federal Eduardo Bolsonaro (PL-SP), é
investigado por sua atuação junto ao governo do presidente dos Estados Unidos,
Donald Trump, visando promover medidas de retaliação contra o governo
brasileiro e ministros do Supremo e tentar barrar o andamento da ação penal
sobre a trama golpista. Na decisão, Moraes alertou que Bolsonaro pode ser preso ao
descumprir as cautelares.
Marcelo Brandão – Agência Brasil, com foto: Edilson Rodrigues/Agência Senado
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