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12/11/2025
PGR pede condenação de acusados de planejar morte de Lula, Alckmin e Moraes
BRASÍLIA, DF - A Primeira Turma do Supremo Tribunal Federal
(STF) encerrou o primeiro dia do julgamento dos réus do Núcleo 3 da trama
golpista ocorrida durante governo do ex-presidente Jair Bolsonaro. Os ministros ouviram as sustentações da Procuradoria-Geral
da República (PGR), que se manifestou pela condenação dos acusados, e de seis
dos dez os advogados dos acusados. Eles negaram a participação dos réus na
trama. A sessão foi suspensa por volta das 18h50 e será retomada na
manhã desta quarta-feira (12), quando serão ouvidas as demais defesas e
proferidos os votos dos ministros pela condenação ou absolvição. O núcleo é composto por nove militares do Exército e um
policial federal. Eles respondem pelos crimes de organização criminosa armada,
tentativa de abolição violenta do Estado Democrático de Direito, golpe de
Estado, dano qualificado pela violência e grave ameaça e deterioração de
patrimônio tombado. Os acusados são conhecidos como "kids-pretos",
militares que integraram o grupamento de forças especiais do Exército. Eles são
acusados pela Procuradoria-Geral da República (PGR) de planejar "ações
táticas" para efetivar o plano golpista e matar o ministro Alexandre de
Moraes, o vice-presidente Geraldo Alckmin, e o presidente Luiz Inácio Lula da
Silva. Reunião golpista Durante o julgamento, a defesa do coronel do Exército Márcio
Nunes de Resende Júnior negou que o militar tenha participado de uma reunião
para pressionar o comando do Exército a aderir à tentativa de golpe em 2022. De acordo com a denúncia da Procuradoria-Geral da República
(PGR), a reunião foi realizada para discutir a elaboração de uma carta para
pressionar o Alto Comando do Exército a consumar o golpe de Estado. Segundo o advogado Rafael Favetti, o encontro, ocorrido no
dia 28 de novembro de 2022, foi uma “confraternização” de ex-colegas, no salão
de festas do edifício onde o militar morava e não tinha intenção golpista. Durante a sustentação, o advogado foi interrompido pelo
ministro Flávio Dino. O ministro disse que o advogado não tinha citado uma das
três mensagens de WhatsApp usadas pela PGR para confirmar que o coronel
participou de conversas para incitar as Forças Armadas a aderir o golpe. "Fiquei na dúvida, porque Vossa Excelência falou em
confusão de autoria. 'Se a gente não tem coragem de enfrentar o cabeça de ovo
[Moraes] e uma fraude eleitoral, vamos enfrentar quem?' Essa mensagem é do
senhor Marcio?", indagou. Em seguida, o advogado confirmou que a mensagem é de autoria
de Marcio e que disse que não a citou por trata-se de um xingamento ao ministro
Alexandre de Moraes. "Mas, essa mensagem não tem relação com o referendo à
carta e pressão aos superiores, derivada da reunião", esclareceu. Encontro com Bolsonaro A defesa do general da reserva do Exército Estevam Theóphilo
pediu a absolvição do militar e disse que ele não teve ligação com os atos
golpistas de 8 de janeiro de 2023 nem com o plano para tentar usar os
kids-pretos para promover ações para impedir a posse de Lula. De acordo com as investigações, Theóphilo se reuniu três
vezes com Bolsonaro, no final de 2022. Segundo a Polícia Federal, teria sido
discutida a utilização de operações de Garantia da Lei e da Ordem (GLO) ou
decretação de Estado de sítio. Na época, Estevam Theóphilo era responsável pelo Comando de
Operações Terrestres (Coter), tropa de elite do Exército e que é chamada de
tropa dos "kids-pretos". Segundo o advogado Diego Rodrigues Musy, os encontros de
Theófilo com Bolsonaro ocorreram com a ciência do então comandante do Exército,
Freire Gomes, e que o general não teve contatos com outros acusados pela trama
golpista ou participou de "movimentos de resistência contra as
urnas". "Não há nos autos nenhuma mensagem, nenhuma prova ou
comunicação. O general jamais esteve constando em nenhum documento desse
processo e em nenhum dos atos executórios mencionados", completou. Fazem parte deste núcleo os seguintes investigados: Bernardo Romão Correa Netto (coronel); Estevam Theophilo (general); Fabrício Moreira de Bastos (coronel); Hélio Ferreira Lima (tenente-coronel); Márcio Nunes de Resende Júnior (coronel); Rafael Martins de Oliveira (tenente-coronel); Rodrigo Bezerra de Azevedo (tenente-coronel); Ronald Ferreira de Araújo Júnior (tenente-coronel); Sérgio Ricardo Cavaliere de Medeiros (tenente-coronel); Wladimir Matos Soares (policial federal). Outros núcleos Até o momento, o STF já condenou 15 réus pela trama
golpista. São sete condenados do Núcleo 4 e mais oito acusados que pertencem ao
Núcleo 1, liderado pelo ex-presidente Jair Bolsonaro. O grupo 2 será julgado a partir de 9 de dezembro. O núcleo 5 é formado pelo empresário Paulo Figueiredo, neto
do ex-presidente da ditadura João Figueiredo. Ele mora dos Estados Unidos, e
não há previsão para o julgamento.
André Richter/Valéria Aguiar – Agência Brasil, com foto: Rosinei Coutinho/STF
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