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22/01/2026
Morre a jornalista Mayra Cunha, filha do também jornalista e professor Paulo José Cunha
BRASÍLIA, DF - A jornalista e publicitária Mayra Mesquita
Araujo da Cunha morreu na quarta-feira (21/1), aos 49 anos. Servidora do Senado
e filha do professor de jornalismo da Universidade de Brasília, Paulo José
Cunha, ela morreu no Recife após uma pneumonia bacteriana. Mayra estava de férias em Pernambuco para comemorar o
aniversário de uma amiga. Segundo o pai, Paulo Cunha, ela chegou a um hospital
da região com suspeita de crise de asma, mas os médicos constataram que o
pulmão estava totalmente comprometido, o que exigiu internação imediata. “Logo
foi entubada preventivamente para garantir o mínimo de oxigenação”, relata o
professor universitário. Rapidamente, o diagnóstico apontou pneumonia bacteriana, que
evoluiu para um quadro grave de forma extremamente rápida, exigindo sedação.
“Ela teve algumas melhoras, foi sedada e não saiu mais da sedação, até morrer”,
conta o pai, emocionado. Dona de uma inteligência fulgurante, formou-se em
publicidade e propaganda e, logo em seguida, em jornalismo. Mayra era servidora
do Senado há 20 anos. Ingressou inicialmente como terceirizada e, em 2009,
passou a integrar o quadro de servidores concursados. Ao longo da trajetória no
órgão, participou da produção de documentários e da divulgação de produtos
culturais. Entre os trabalhos de destaque estão produções do projeto
Visite 360, do programa de visitação do Senado Federal. Outros trabalhos de
destaque são O sonho de Abdias, sobre o ex-senador Abdias Nascimento, e
Encontro com Darcy, sobre o educador e também ex-senador Darcy Ribeiro. No trabalho, era querida por todos que a cercavam. “Ela era
assim, multifacetada, multitalentos. Uma personalidade muito vívida. Falante e
sempre muito sorridente”, lembra Luciana Rodrigues, diretora de Comunicação do
Senado. O pai fala com carinho da força de vontade de Mayra para
fazer tantas coisas ao mesmo tempo. Ela criou um clube do livro, trabalhava
arduamente em diversas áreas e, ainda assim, encontrava tempo e espaço para a
família. Recentemente, havia adquirido um apartamento e estava ansiosa pelas
reformas que pretendia realizar. Leitora voraz e sempre disposta a compartilhar histórias,
criou o “Clube do Livro Breve”, reunindo amigos e interessados em literatura
para a leitura de livros curtos. “Esse clube se reúne quinzenalmente para
discutir um livro que ela geralmente indicava e que todos compravam para ler,
para depois conversar a respeito”, relata o pai. Amigos próximos descrevem Mayra como uma alma livre. Bianca
Damaceno, uma das amigas da servidora, reforça o amor dela pelos livros e pela
liberdade. “Mulher muito livre, dona de si, sem medo de ser feliz e com uma
vontade de viver inspiradora. De mediadora de clube de leitura a organizadora
de blocos de carnaval. De jornalista comprometida e excelente funcionária
pública do Senado a companheira de mesa de bar. Quem teve o privilégio de
conhecer e conviver com a Mayra, independentemente do contexto e do local,
certamente guardará no coração e na memória os momentos incríveis que só ela
era capaz de proporcionar”, diz. Caio Valente, amigo de infância de Mayra, chama-a
carinhosamente de “Mayroca” e fala do prazer de conviver com ela durante
décadas. “Foi uma das pessoas mais espontâneas e autênticas com quem tive o
enorme prazer de compartilhar bons momentos da minha vida. Mayroca sempre foi —
e será — sinônimo de alegria, personalidade, liberdade e felicidade”, comenta. Mayra partiu segurando as mãos do pai. Os pais estão em
Recife, onde o corpo será cremado. “Ela era isso: uma pessoa extremamente
autêntica. Aquele sorriso aberto o tempo inteiro, escancarado, na verdade, um
sorriso sem limites”, conclui o jornalista Paulo Cunha.
Correio Braziliense, com foto: Material cedido ao Correio
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