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20/02/2026
Professor universitário que desdenhou e discriminou cadeirante pede desculpas: “foi grave e inaceitável”
BELO HORIZONTE, MG - O homem que cometeu um ato
discriminatório contra um cadeirante na última quinta-feira (12/2), em Belo
Horizonte, publicou um pedido de desculpas no Instagram. "O que fiz foi
grave e inaceitável", diz o texto. "Minha conduta foi errada e
atingiu a dignidade de uma pessoa com deficiência e de seus familiares",
prossegue a retratação. "Meu pedido de perdão não apaga o erro nem exige que
ele seja aceito. Ele é apenas o reconhecimento público de uma responsabilidade
que é exclusivamente minha", diz ainda o texto. A retratação diz ainda:
"assumo integralmente a responsabilidade pela minha conduta e estou
disposto a enfrentar todas as consequências administrativas e legais
decorrentes do meu erro". Apesar dos desdobramentos que o caso teve, o texto pontua:
"o que mais tem pesado é a consciência do mal que provoquei". Por
fim, a conclusão traz mais uma retratação: "lamento profundamente o que
aconteceu". O texto foi publicado no perfil pessoal do homem, identificado
como Pedro Casagrande. Entenda o caso De acordo com o relato da chef Juliana Duarte, proprietária
do restaurante Cozinha Santo Antônio, na Rua São Domingos do Prata, no Bairro
Santo Antônio, Região Centro-Sul de Belo Horizonte, ela, o marido, que também
se chama Pedro e é cadeirante, e a cuidadora, Raquel, se depararam com um
veículo estacionado de maneira irregular, sobre a faixa de pedestres,
bloqueando a rampa de acessibilidade, quando chegavam ao estabelecimento. Ao identificar o proprietário em um bar vizinho, Juliana
solicitou a retirada do veículo e o questionou se ele "não tinha
vergonha" da infração. "Não. Sou escroto, mas vou tirar o carro mesmo
assim", teria dito o homem. Ao manobrar para sair, ele desferiu a primeira
ofensa direta a Pedro: "Tchau, cadeirante! Espero que você ande muito por
aí". Após o primeiro embate, Pedro seguiu para casa, enquanto
Juliana permaneceu no restaurante. Por volta das 22h26, o agressor teria
adentrado o estabelecimento. "Ele entrou altivo, com um sorriso no rosto.
Achei que iria pedir desculpas, mas ele se aproximou e disse: 'E aí, ele voltou
a andar?'. Virou as costas e foi embora", relata Juliana. Consequências Após se tornar público, caso deu origem a vários
desdobramentos. A UFMG, onde Pedro Casagrande trabalha como docente, abriu uma
investigação interna contra ele. O Tribunal de Contas do Estado (TCE-MG),
prometeu rigor na fiscalização de contratos em que Pedro Casagrande estiver
relacionado. O Ministério Público de Minas Gerais (MPMG) informou que
instaurará um Procedimento Investigatório Criminal sobre o episódio. Já Mateus
Simões (PSD), vice-governador de Minas Gerais, anunciou que cancelará contratos
do governo estadual com o homem.
EM, com foto: Arquivo Pessoal
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