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08/04/2026
Autoridade em autismo no Brasil, Salomão Schwartzman questiona aumento de diagnósticos
SÃO PAULO, SP - Uma declaração do neuropediatra José Salomão
Schwartzman durante entrevista ao Roda Viva, na última segunda-feira (6/4),
gerou repercussão e reacendeu o debate sobre o aumento de diagnósticos de
Transtorno do Espectro Autista. Ao comentar a ampliação de casos classificados
como nível 1 de suporte, o especialista afirmou: “Quanta gente se faz de autista
nível 1 para obter as benesses que isso traz? Possivelmente, muita gente”. A fala foi feita no contexto de uma análise sobre a falta de
critérios objetivos para o diagnóstico do autismo. Segundo Schwartzman, a
ausência de marcadores laboratoriais e a subjetividade clínica podem levar a
enquadramentos imprecisos, especialmente nos casos mais leves do espectro. Durante a entrevista, o médico destacou que o crescimento no
número de diagnósticos está concentrado justamente no nível 1 de suporte,
considerado o grau mais leve dentro do espectro. “O limite entre alguém com
autismo nível 1 e uma pessoa apenas pouco sociável ou com características
específicas é muito pequeno. Depende até do médico”, afirmou. Schwartzman também questionou o modelo atual de classificação
do TEA, sugerindo que o conceito de “espectro” pode estar abrangendo condições
distintas sob uma mesma definição. “Hoje você não tem um grupo homogêneo. Você
tem um conjunto de situações diferentes com o mesmo nome”, disse. O neuropediatra defendeu que o avanço das pesquisas deve
priorizar a criação de ferramentas diagnósticas mais precisas. “Enquanto você
não tiver marcadores objetivos, como exames genéticos ou de neuroimagem, vai
continuar havendo dúvidas sobre quem realmente se enquadra no diagnóstico”,
afirmou. Ele também mencionou possíveis mudanças futuras no DSM, que
pode passar a incorporar exames complementares para refinar os critérios.
Diretrizes da Organização Mundial da Saúde e da Classificação Internacional de
Doenças já consideram níveis de suporte e funcionalidade, mas ainda enfrentam
desafios na padronização diagnóstica.
Correio Braziliense, com foto: Reprodução/TV Cultura
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