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16/04/2026
Presidente Hugo Motta diz que há vontade política do Parlamento para aprovar o fim da escala 6x1
O presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta
(Republicanos-PB), afirmou que há uma vontade política do Parlamento para
aprovar o fim da escala de trabalho 6x1 (seis dias de trabalho e um de
descanso). Ele reforçou que é preciso responsabilidade, mas que não adianta
ficar contra a matéria apenas por ficar contra. “Não há compromisso em retardar essa medida, que vai trazer
avanços para o país. Quem acha que a Câmara vai segurar a discussão e a votação
da matéria está equivocado”, afirmou ele, em entrevista ao SBT News. Antes, em entrevista coletiva, ele afirmou que o envio, pelo
governo, do projeto de lei que reduz a jornada de trabalho e estabelece o fim
da escala 6x1 não muda o cronograma estabelecido por ele em relação à proposta
de emenda à Constituição (PEC) que trata do mesmo tema. Motta reforçou que é prerrogativa do presidente da República
o envio de um projeto de lei com urgência constitucional, mas que também é
prerrogativa da Presidência da Câmara definir a tramitação de qualquer
proposição na Casa. Ele disse que o envio do texto não afeta a relação com o
Poder Executivo, já que os Poderes são independentes e harmônicos. “Vamos continuar com a tramitação da PEC, porque com a PEC
temos um espaço maior de discussão, para ouvir a todos que serão impactados por
essa mudança. O avanço que vamos dar à classe trabalhadora com um tempo a mais
para a saúde, para o lazer e para a sua família, acreditando que isso melhorará
a produtividade, e vamos fazer isso de forma responsável”, afirmou. Admissibilidade Hugo Motta disse que foi marcada uma sessão até sexta-feira
desta semana para contar o prazo para o pedido de vista da PEC na Comissão de
Constituição e Justiça e de Cidadania (CCJ). Segundo ele, a ideia é que a
proposta tenha sua admissibilidade votada na próxima quarta-feira. O presidente afirmou que indicará os nomes do presidente e
do relator da comissão especial assim que o texto for aprovado pelo colegiado.
O parlamentar voltou a afirmar que o cronograma estabelecido é que a proposta
vá para o Plenário no final de maio. Desoneração da folha Motta afirmou que é contra ampliar a desoneração da folha de
pagamento das empresas para aprovar o fim da escala 6x1 e a redução da jornada
de trabalho. Segundo ele, o Congresso aprovou, recentemente, a desoneração de
diversos setores, mas foi feito um “desmame” para esse tipo de isenção
tributária, que, na sua avaliação, prejudica a arrecadação. “Isso vai contra tudo o que construímos ao longo da política
econômica dos últimos anos”, disse o presidente. “Precisamos discutir como um
todo o arcabouço trabalhista do nosso país”, destacou. Trabalho por aplicativos O presidente também informou que retirou de pauta a proposta
que regulamenta o trabalho por aplicativos a pedido do relator, deputado
Augusto Coutinho (Republicanos-PE), e do ministro das Relações Institucionais,
José Guimarães. Segundo ele, a Câmara tem responsabilidade com o tema e, por
isso, quer garantir direitos a esses trabalhadores, mas garantir também que
essa regulamentação não impacte o custo para as plataformas e para os
consumidores. “Quando se parte para aumentar o custo para o consumidor,
entendemos que a discussão vai para um ponto que não teria aprovação na Casa”,
disse Motta. Pauta Motta afirmou que está em diálogo com o governo para a
votação, amanhã, do segundo turno da PEC que garante 1% da receita corrente
líquida do Orçamento para o Sistema Único de Assistência Social (Suas). “Alguma mudança pode ser realizada, mas não pode prejudicar
o escopo central”, defendeu o presidente. Entre outros assuntos que devem ser deliberados pelos
parlamentares nesta semana, está o projeto que regulamenta a exploração do
ouro, de autoria do governo e relatado pelo deputado Max Beltrão. Também estão
incluídos na pauta projetos de combate à violência contra a mulher, de
regulamentação do clima e de valorização dos policiais militares.
Luiz Gustavo Xavier/Wilson Silveira – Agência Câmara de
Notícias, com foto: Edilson Rodrigues/Agência Senado
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