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23/04/2026
Governo envia projeto ao Congresso Nacional com mecanismo para reduzir preço dos combustíveis
BRASÍLIA, DF - O governo federal enviou nesta quinta-feira (23)
ao Congresso o Projeto de Lei Complementar 114 de 2026, que cria um mecanismo
para reduzir tributos sobre combustíveis caso haja aumento de arrecadação com
receitas do petróleo. A proposta foi apresentada pelo líder do PT na Câmara,
deputado Paulo Pimenta. Pouco antes das 16h, o Ministério da Fazenda tinha anunciado
que a medida envolveria novos cortes diretos de impostos. No entanto, o
ministro Dario Durigan corrigiu a informação. “Não estamos fazendo anúncio de redução tributária de nenhum
tributo, e, sim, de um mecanismo discutido com o Congresso para minorar o
impacto da guerra”, declarou o ministro, em referência aos efeitos do conflito
no Oriente Médio sobre os preços de combustíveis. Proposta A proposta prevê que receitas extraordinárias provenientes
do petróleo, como royalties e venda de petróleo do pré-sal, sejam usadas para
compensar reduções de impostos sobre combustíveis. Poderiam ser abatidas as alíquotas do Programa de Integração
Social (PIS), da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social
(Cofins) e da Contribuição de Intervenção no Domínio Econômico (Cide) sobre
diesel, gasolina, etanol e biodiesel. A proposta inicial prevê duração do regime enquanto durar a
guerra no Oriente Médio. Assim que for constatado aumento de receitas, o
presidente da República poderá editar um decreto com desonerações de
combustíveis. As reduções de tributos valeriam por dois meses, com
revisões após o fim do período. Segundo o ministro do Planejamento, Bruno Moretti, isso
permitirá a manutenção da neutralidade fiscal, sem impacto para as contas
públicas. “Se houver aumento extraordinário da receita, esse aumento
servirá de compensação para redução de tributos aplicáveis a esses
combustíveis”, afirmou Moretti. De acordo com o ministro, a cada redução de R$ 0,10 nos
tributos sobre a gasolina, por um período de dois meses, o impacto estimado é
de R$ 800 milhões. Articulação A articulação política para a efetivação da medida envolve o
Congresso Nacional. O ministro das Relações Institucionais, José Guimarães,
afirmou que o tema será discutido na próxima terça-feira com líderes da Câmara. Segundo ele, o presidente da Câmara, Hugo Motta, e o
presidente do Senado, Davi Alcolumbre, demonstraram apoio à proposta. Medidas recentes Nos últimos meses, o governo tem adotado medidas para conter
a alta dos combustíveis. Entre elas, a desoneração do PIS/Cofins sobre o diesel
e a concessão de subsídios que chegaram a R$ 1,52 por litro para o diesel
importado e a R$ 1,12 por litro para o nacional. Segundo a Petrobras, os tributos federais representam cerca
de R$ 0,68 do valor final ao consumidor, no cálculo que considera um preço
médio de R$ 6,77 o litro. Atualmente, o diesel e o biodiesel estão com PIS e Cofins
zerado. A gasolina e o etanol, no entanto, continuam com a mesma tributação de
antes do início da guerra.
Wellton Máximo/Vinícius Lisboa- Agência Brasil
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