|
08/05/2026
Assembleia da Paraíba sedia a primeira audiência pública da Câmara Federal sobre fim da escala 6×1
JOÃO PESSOA, PB - A Assembleia Legislativa da Paraíba (ALPB)
sediou, nesta quinta-feira (07), a primeira audiência pública da Câmara Federal
promovida no país para discutir a Proposta de Emenda à Constituição (PEC)
221/2019, que trata da redução da jornada de trabalho e do fim da escala 6×1. O
debate, realizado através do projeto “Câmara pelo Brasil”, que tem como
objetivo discutir a redução da jornada semanal de trabalho, reuniu
representantes do governo federal, parlamentares, centrais sindicais e
entidades empresariais, marcando o início de uma série de discussões públicas
conduzidas pela Comissão Especial da Câmara criada para analisar a matéria. Durante o evento, o presidente da Câmara dos Deputados, Hugo
Motta, afirmou que a proposta vem sendo debatida há anos e destacou o ambiente
favorável à aprovação da PEC no Congresso Nacional. “O que eu posso dizer é que
sinto dentro da Câmara dos Deputados um ambiente muito favorável para a
aprovação dessa proposta de emenda à Constituição. Eu sinto que, independente
da vinculação partidária, independente de ser partido do governo ou da
oposição, nós caminhamos para um projeto que possa ter ampla convergência”,
declarou. Segundo ele, a discussão busca garantir mais qualidade de vida aos trabalhadores
sem deixar de ouvir os setores produtivos. O presidente da ALPB, Adriano Galdino, anfitrião do debate,
destacou a importância social da discussão sobre a redução da jornada de
trabalho e o fim da escala 6×1. Segundo ele, a proposta representa uma
oportunidade de melhorar não apenas as condições de trabalho, mas também a
convivência familiar dos trabalhadores brasileiros. “É um tema importante não
só para a economia, mas para a qualidade de vida, para dignificar a vida das
pessoas que mais precisam nesse país”, afirmou. Adriano Galdino também
comemorou o fato de a Paraíba ter sido escolhida para sediar a primeira
audiência pública externa da Comissão Especial da Câmara dos Deputados sobre a
PEC 221/2019. O ministro do Trabalho e Emprego, Luiz Marinho, ressaltou
que o debate sobre a redução da jornada é histórico e ganhou força diante das
mudanças nas relações de trabalho. “O governo propõe redução da jornada máxima
imediatamente para 40 horas semanais, sem redução do salário e duas folgas na
semana. Isso atenderia duas identificações importantes: a redução da quantidade
de horas da semana e o fim da escala 6×1, a pior das escalas possíveis,
especialmente para as mulheres”, afirmou. O ministro também destacou que
empresas têm encontrado dificuldades para preencher vagas devido à rejeição
crescente ao modelo atual de jornada. O relator da PEC 221/2019 na Câmara dos Deputados, deputado
federal Léo Prates, defendeu a construção de um texto de consenso entre
trabalhadores, empresários e parlamentares, ressaltando que a proposta não
prevê redução salarial. “Primeiro, não haverá redução de salário. Segundo, o
texto não vai ser o que Hugo Motta sonha, o que Marinho sonha ou o que eu
sonho. O texto será o que refletir o voto de mais de 300 parlamentares”, afirmou.
O deputado também destacou que o debate sobre a redução da jornada de trabalho
se arrasta há mais de uma década no país e disse acreditar que já existe
convergência em torno da jornada de 40 horas semanais. Segundo ele, as
especificidades de algumas categorias deverão ser tratadas em projetos de lei
complementares para garantir segurança jurídica e equilíbrio na implementação
das mudanças. Representando os trabalhadores, o presidente da Central
Única dos Trabalhadores (CUT) da Paraíba, Tião Santos, afirmou que a audiência
representa um avanço histórico para a categoria. “É uma luta histórica da
Central Única dos Trabalhadores e hoje estamos tendo essa oportunidade de
avançar nessa pauta”, disse. Para ele, a redução da jornada sem diminuição
salarial é uma reivindicação antiga do movimento sindical brasileiro. Já representantes do setor produtivo defenderam mais estudos
técnicos antes da aprovação da proposta. O presidente do Conselho de
Desenvolvimento da Paraíba, José Carneiro, afirmou que ainda faltam análises
aprofundadas sobre os impactos econômicos da medida. “A principal defesa é a
discussão ampla e o aprofundamento técnico que não houve até aqui”, declarou.
Na mesma linha, o presidente da Câmara de Dirigentes Lojistas de João Pessoa,
Nivaldo Vilar, demonstrou preocupação com os reflexos financeiros para o
comércio. “Essa diminuição na escala vai refletir no custo para todos nós,
porque as empresas não vão ter como absorver um custo desses”, avaliou. Comissão Especial A PEC 221/2019 propõe alterações na jornada máxima de
trabalho no Brasil, com redução gradual das horas semanais e mudanças no modelo
de escala, incluindo o fim da chamada escala 6×1 — quando o trabalhador atua
durante seis dias consecutivos e folga apenas um. A proposta está sendo
analisada por uma Comissão Especial da Câmara dos Deputados, presidida pelo
deputado federal Alencar Santana, com relatoria do deputado Léo Prates. A comissão realiza audiências públicas em diferentes estados
para ouvir trabalhadores, empresários e especialistas antes da elaboração do
parecer final sobre a matéria. Também estavam presentes o deputado Reginaldo
Lopes, autor da proposta, a deputada Daiana Santos, vice-presidente da comissão
especial da Câmara dos Deputados que analisa a PEC 221/2019, e os deputados
federais Murilo Galdino e Damião Feliciano.
Assessoria/ALPB, com foto: Divulgação
|