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11/05/2026
Preço do óleo diesel cai pela 4ª vez no Brasil em cinco semanas e já acumula um recuo de 4,5%
BRASÍLIA, DF - O preço do óleo diesel no país registrou o
quarto recuo em um período de cinco semanas. Nesse intervalo de tempo, o
combustível usado majoritariamente por caminhões e ônibus acumula queda de
4,5%. No entanto, ainda está 18,9% acima do período pré-guerra no
Irã, iniciada em 28 de fevereiro. Os dados fazem parte do monitoramento de preços da Agência
Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP), órgão do governo que
regula o setor no país. De acordo com o painel de preços de revenda da agência, na
semana de 3 a 9 de maio o litro do diesel S10 teve preço médio de revenda de R$
7,24. O preço do diesel é acompanhado com atenção por autoridades
e pelo setor produtivo, pois, por ser o principal combustível da frota de
caminhões, está diretamente ligado ao valor do frete, que se reflete no custo
dos alimentos transportados. Nas últimas cinco semanas, a ANP identificou uma semana sem
variação e quatro com queda no preço médio. O preço médio do diesel S10 em cada fim de semana de
pesquisa: - 28/03: R$ 7,57 - 04/04: R$ 7,58 - 11/04: R$ 7,58 - 18/04: R$ 7,51 - 25/04: R$ 7,38 - 02/05: R$ 7,28 - 09/05: R$ 7,24 Pré-guerra Apesar da trajetória recente de queda, o litro do diesel
ainda reflete a escalada de preços provocada pelos ataques americanos e
israelenses ao Irã. Na semana terminada em 28 de fevereiro, dia do primeiro
ataque, o combustível era vendido por R$ 6,09, em média. Desde então, foram cinco semanas até alcançar o pico de R$
7,58 na semana terminada em 11 de abril. Em relação ao diesel S500, a trajetória é semelhante ao S10
nas últimas cinco semanas, saindo de R$ 7,45 o litro para R$ 7,05, regressão de
5,37%. Na comparação com o pré-guerra, o aumento está em 17%. A diferença entre o S10 e o S500 é o nível de emissão de
poluentes. O S500 emite 10 partes por milhão (ppm) de enxofre, 50 vezes mais
que o S10. O S10 é o mais utilizado no país, respondendo por cerca de
70% do consumo nacional, de acordo com a ANP. Os veículos leves e pesados
produzidos a partir de 2012 foram preparados para rodar com o S10. Guerra e preço A guerra no Irã teve reflexos como ataques a países vizinhos
do Irã também produtores de petróleo e o fechamento do Estreito de Ormuz, no
sul do Irã, que liga os golfos Pérsico e de Omã. Por lá, passavam antes da
guerra cerca de 20% da produção mundial de petróleo e gás natural. Com a cadeia logística em turbulência, a oferta do óleo cru
e seus derivados diminuiu no mundo, levando à escalada dos preços. O barril do
Brent, referência internacional de preços, saltou de US$ 70 para mais de US$
100, atingindo picos ao redor de US$ 120. O petróleo é uma commodity, isto é, mercadoria negociada a
preços internacionais. Isso fez com que o encarecimento fosse sentido também no
Brasil, mesmo sendo país produtor. No caso do diesel, especificamente, o país não é
autossuficiente, e precisa importar cerca de 30% do que consome. Subvenção A tendência de queda no preço do diesel nas últimas cinco
semanas coincide com o início da subvenção do governo aos produtores e importadores
de diesel. A medida é uma das ações para conter a alta de preço. Desde 1º de abril, o governo passou a oferecer uma espécie
de desembolso para produtores e importadores. Com a subvenção, o diesel produzido no país pode receber até
R$ 1,12/litro de subsídio. O importado, até R$ 1,52/litro. Os agentes
econômicos só recebem o benefício se repassarem o desconto à cadeia de consumo. Outra medida para segurar o preço na bomba foi a zeragem das
alíquotas do PIS e da Cofins, os dois tributos federais que incidem sobre o
óleo. Motivos O pesquisador Iago Montalvão, do Instituto de Estudos
Estratégicos de Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis Zé Eduardo Dutra
(Ineep), explicou à Agência Brasil que as medidas do governo e a atuação da
Petrobras estão por trás da trajetória de queda recente do diesel. Ele avalia que, em um primeiro momento, com o choque de
preços provocado pela guerra, houve uma tentativa de as empresas reajustarem
seus balanços, aumentando preços para evitar uma perda na sua margem de lucro
em função do aumento dos custos, nesse caso, o preço do petróleo. A própria Petrobras reajustou o diesel em R$ 0,38 duas
semanas após o início da guerra. No entanto, ele assinala que a forte presença da Petrobras
no mercado de derivados possibilitou que a estatal não aumentasse os preços na
mesma proporção do choque do petróleo. “Foi essencial para segurar o repasse dessa alta para os
postos e forçar outras refinarias a não aumentarem tanto os preços também”,
disse o pesquisador do Ineep, um centro de pesquisas ligado à Federação Única
dos Petroleiros (FUP). De acordo com a ANP, a participação da estatal como
fornecedora do diesel combustível de 2023 a 2025 variou de 75,74% a 78,23%. Outro ponto para o recuo no preço do combustível, acrescenta
Montalvão, foram as desonerações de tributos e subvenções. “Medidas fiscais [relativa a gastos do governo] ajudaram a
conter a alta na etapa final, de distribuição e revenda”, constata. “Essas medidas têm sido muito importantes para [conter]
inflação como um todo na economia”, complementa. Iago Montalvão lembra que o Brent ainda está em patamar “bem
elevado” e que não há expectativa de final do conflito. “Mas os agentes já conseguiram se ajustar a essa nova
realidade, por isso os aumentos desaceleraram, e até em alguns casos o preço
reduziu”, analisa Montalvão. Na tarde desta segunda-feira (11), o barril estava sendo
negociado na casa de US$ 104.
Bruno de Feitas Moura/Fernando Fraga, com foto: Fernando Frazão/Agência Brasil
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