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21/05/2026
Flávio Bolsonaro pediu ressarcimento ao Senado das passagens usadas para encontro com Vorcaro após prisão
BRASÍLIA, DF - O Senado reembolsou a viagem feita pelo
senador e pré-candidato à presidência da República Flávio Bolsonaro (PL) para
encontrar com o dono do Banco Master, Daniel Vorcaro. Segundo o senador, a
reunião seria para encerrar as negociações milionárias de financiamento do
filme biográfico de Jair Bolsonaro (PL). Dados do Portal da Transparência da Casa mostram que Flávio
teve duas passagens reembolsadas: uma ida de Brasília a São Paulo, que saiu às
11:40 do Aeroporto Internacional de Brasília, e outra de volta, que saiu do
Aeroporto de Congonhas às 21:05. As duas passagens estão datadas em 29 de
novembro, um dia após a liberação de Vorcaro da prisão. A informação foi
divulgada pelo ICL Notícias e confirmada pelo Estado de Minas. A passagem de ida custou R$ 2.126,77 e a de volta, R$
413,32. Ao todo, o Senado pagou R$ 2.540,09 pela visita de Flávio Bolsonaro à
casa de Daniel Vorcaro. O reembolso foi feito em cartão de crédito e faz parte
de um montante de R$ 13.157,38 gastos em passagens aéreas e devolvidos ao
parlamentar durante o mês de novembro de 2025. Em coletiva de imprensa, o senador admitiu que visitou o
empresário após a liberação da prisão, quando o investigado usava tornozeleira
eletrônica e não poderia sair da cidade de São Paulo. Ele alegou que o encontro
se deu para colocar um ponto final no contrato entre Vorcaro e a produção do
“Dark Horse” e que, depois da saída do investidor, foi difícil encontrar novos
financiadores. Em um áudio de novembro de 2024, Flávio cobrou R$ 134
milhões de Vorcaro para financiamento do filme. Do total acordado, o empresário
chegou a pagar R$ 61 milhões para a produção do longa, que conta com
investimento em grandes nomes da produção hollywoodiana, como o ator Jim Caviezel
no papel de Jair Bolsonaro. O artista é conhecido por interpretar Jesus no
filme “A Paixão de Cristo”. Após a divulgação das mensagens, Flávio confirmou ter
recebido o dinheiro, mas negou ter sido beneficiado diretamente com os valores
milionários. Segundo ele, “o que aconteceu foi um filho procurando patrocínio
privado para um filme privado sobre a história do próprio pai”, sem
envolvimento de dinheiro público ou utilização da Lei Rouanet. A produtora do
filme, Go Up Entertainment Ltda, porém, negou que recebeu o dinheiro. Financiamento do Master em 92% Em entrevista à TV Globo e ao Globonews, Karina Gama, dona
da produtora, afirmou que o orçamento já utilizado no filme é de US$ 13 milhões
– o que equivale a aproximadamente R$ 65,65 milhões. Com isso, o montante
transferido pelo empresário representa cerca de 92% do orçamento atual da
produção. Karina ainda argumentou que todo o dinheiro usado no filme
veio do fundo Heavensgate, que é sediado nos Estados Unidos e administrado pelo
advogado Paulo Calixto, que é aliado do ex-deputado federal Eduardo Bolsonaro
(PL). Investigações da Polícia Federal (PF) indicam que a empresa Entre
Investimentos e Participações, ligada a Vorcaro, foi a fonte de recursos para o
filme. Outra linha de investigação suspeita que o dinheiro investido pode ter
custeado a estadia de Eduardo nos Estados Unidos. A formalização da empresa, porém, levanta suspeitas sobre a
transparência de investimentos no longa-metragem. Isto porque uma análise de
dados abertos da Agência Nacional do Cinema feita pelo Estado de Minas indica
que a produtora só foi regulamentada no sistema federal oito meses depois de
ter firmado o contrato milionário com o ex-banqueiro. Ligação provoca queda de Flávio A ligação de Flávio com Vorcaro em relação à produção do
filme foi vista com maus olhos pelo eleitorado. Com a divulgação, as intenções
de votos no bolsonarista caíram. Nova pesquisa Atlas/Bloomberg divulgada nessa
terça-feira (19/5) mostra que Flávio caiu 5,4 pontos percentuais nas intenções
de voto, totalizando 34,3% das sinalizações de voto e deixando com que o atual
presidente pré-candidato à reeleição Luiz Inácio Lula da Silva (PT) tenha ampla
vantagem, com 47% das intenções de voto. A pesquisa provocou questionamentos da equipe da
pré-campanha de Flávio. Horas depois da divulgação da pesquisa, a coordenação
jurídica acionou o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) para questionar o
levantamento, argumentando que a metodologia adotada pelo instituto teria
induzido os entrevistados a uma percepção negativa sobre o nome do Partido
Liberal.
EM, com foto: Marcos Oliveira/Agência Senado
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