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27/05/2026
Bolsonaristas criticam fim da escala 6x1 e defendem que patrões definam jornada junto com empregados
BRAS´LIA, DF - Parlamentares da oposição criticaram a
Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que acaba com a escala 6x1 no Brasil e
reduz a jornada de trabalho das atuais 44 horas para 40 horas semanais. A
sessão da Comissão da Câmara pode votar a PEC ocorre nesta quarta-feira (27). A deputada federal Júlia Zanatta (PL-SC) defendeu que a
jornada de trabalho deveria ser definida pela negociação entre patrões e
trabalhadores, e não por Emenda Constitucional. “É óbvio que estamos preocupados com a qualidade de vida do
trabalhador, mas é óbvio que estamos preocupados também se o custo que vai
aumentar na mão de obra não vai recair sobre aquele povo já tão sofrido que
reclama que o dinheiro dele não dá para nada”, comentou a parlamentar. Estudos divergem sobre os impactos econômicos da redução da
jornada de trabalho na inflação e no Produto Interno Bruto (PIB), a depender
das premissas usadas pelos pesquisadores. Em países da Europa, a redução das
jornadas não reduziu o PIB, nem teve efeitos negativos sobre os salários ou
nível de emprego. O deputado Gilson Marques (Novo-SC), que apresentou pedido
para adiar a votação, reconheceu que a escala 6x1 é exaustiva, mas argumentou
que a mudança “na marra” prejudicaria os trabalhadores. “Tentar acabar com isto na marra, na força da lei, pode
piorar ainda mais para quem trabalha. Sabem o que sufoca realmente o cidadão? É
o Estado. Este é o verdadeiro problema”, afirmou. Para Marques, a redução para escala 5x2 prejudica “o pequeno
empreendedor, o consumidor e o próprio trabalhador”. Ao mesmo tempo em que criticava o fim da 6x1, a deputada do
PL Júlia Zanatta repetiu fala do líder do Partido Liberal (PL), deputado
Sóstenes Cavalcante (PL-RJ), que anunciou que o partido apresentaria destaque
no Plenário da Câmara para reduzir a escala para 4x3. “Vamos ver como que vão
se posicionar”, provocou Zanatta. Manobra da oposição Como o PL foi contrário à redução da jornada de trabalho
durante a tramitação da proposta, a fala do líder do partido representa uma
suposta mudança de posição da legenda diante da expectativa de que a PEC será
aprovada na Câmara. A deputada Erika Hilton (Psol-SP), autora de uma das PEC que
estabelece o fim da escala 6x1, afirmou que o discurso do principal partido da
oposição é uma “manobra” para evitar o fim da escala 6x1. “Para tentar prejudicar o processo de votação, desenterram
isso para enganar o trabalhador brasileiro porque sabem que, daqui para amanhã,
nós não temos condições de refazer aquilo que já está acordado”, disse a
parlamentar. O fim da escala 6x1 para a 5x2 e a redução das atuais 44
horas semanais para 40 horas foi um acordo costurado pelo governo e lideranças
da Câmara dos Deputados. Ao mesmo tempo, Erika defendeu que, no futuro, seja votado a
redução da jornada para 36 horas com escala de 4x3, rebatendo a oposição. “Propuseram 10 anos de transição, falaram em 52 horas
semanais e, da noite para o dia, porque viram que a coisa também estava ficando
puxada para o lado de lá — por que como é que vão explicar para o trabalhador
que são contra um tempo de dignidade?”, completou. A escala 4x3 é adotada, de forma espontânea, por algumas
empresas. Estudo em Portugal revelou que maioria das companhias que adotaram
escala reduzida por conta própria pretendem manter a mudança. O deputado Carlos Zarratini (PT-SP) defendeu que a PEC não
proíbe jornadas maiores de 40 horas, bastando que os empregadores paguem
horas-extras. Já o deputado Helder Salomão (PT-ES) defendeu que a mudança
favorece as famílias brasileiras. “É, sobretudo, uma conquista das famílias brasileiras, que
terão, obviamente, mais saúde física e mental, mais equilíbrio entre a vida
pessoal e profissional, mais qualidade de vida, redução do estresse, menor
exaustão, mais produtividade no trabalho, mais qualificação profissional, mais
tempo para estudar, para a vida comunitária e para viver”, justificou. Se aprovada a mudança, o Brasil se une a outros países
latino-americanos que reduziram a jornada de trabalho nos últimos anos, como
Colômbia, Chile e México. Entenda a PEC do fim da 6x1 O texto em discussão na Comissão Especial prevê a redução da
jornada de trabalho de 44 para 40 horas semanais, com dois dias de descanso e
sem redução salarial. Pela proposta, o fim da escala 6x1, com garantia de ao
menos duas folgas semanais, preferencialmente aos domingos, entrará em vigor 60
dias após a promulgação do texto. Após prazo de 60 dias, a jornada será reduzida para 42 horas
semanais, chegando a 40 horas 14 meses após promulgação da Emenda
Constitucional. Contudo, duas emendas apresentadas por partidos do centrão,
grupo que reúne partidos da direita tradicional, busca derrubar a regra de
transição proposta pelo relator Leo Prates (Republicanos-BA) após ele não
acolher sugestão de criar uma regra de transição de 10 anos. O relator ainda modifica Artigo 7º da Constituição Federal,
determinando que a duração do trabalho não deverá ser superior a oito horas
diárias e 40 horas semanais, “facultada a compensação de horários e a redução
da jornada, mediante acordo ou convenção coletiva de trabalho.” O parecer da PEC permite que o trabalhador faça a escala
6x1, desde que o segundo dia de folga obrigatória por semana seja compensada
dentro do mesmo mês. A legislação ainda traz restrições para trabalhadores que
recebem salário igual ou superior a duas vezes e meia o teto do INSS, ou seja,
R$ 21.188,87 nos valores atuais. Os empregados com recebem esse valor, ou mais,
ficariam dispensados de cumprir a jornada prevista na proposta. A PEC ainda prevê uma regra de transição maior para os
terceirizados da Administração Pública. Nesse caso, as empresas teriam 12 meses
para acabar com a escala 6x1 e reduzir a jornada de trabalho.
Lucas Pordeus Léon/Amanda Cieglinski, com foto: Lula Marques/Agência Brasil
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