|
31/05/2026
Governo lança o “Tela Brasil”, streaming público e gratuito para assistir filmes e séries brasileiras
BRASÍLIA, DF - O governo lançou oficialmente neste sábado
(30) a plataforma Tela Brasil, o streaming público e gratuito de audiovisual
brasileiro. A iniciativa tem o objetivo de democratizar o acesso da
população à cultura brasileira, a partir da ampliação do alcance da produção
nacional. A plataforma coordenada pelo Ministério da Cultura e
desenvolvido em parceria com a Universidade Federal de Alagoas vai
disponibilizar filmes brasileiros sob demanda, com acesso integrado ao site
Gov.br. No lançamento do streaming, na Cidade das Artes, na zona
Oeste do Rio de Janeiro, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva destacou que a
plataforma é uma ferramenta de soberania cultural para que os brasileiros
conheçam a si mesmos. “[A Tela Brasil} vai contribuir para a elevação da
compreensão de um país chamado Brasil. Por que nós somos assim? Por que nós
fazemos assim?" O presidente também criticou o excesso de conteúdos
estrangeiros nas telas do país, que ele considera de baixa qualidade. “A quantidade de enlatados de má qualidade que a gente é
obrigado a assistir toda noite, porque não tem outra coisa para a gente ver. O
que não permite que a juventude brasileira tenha acesso à plenitude da cultura
brasileira", lamentou Lula. O presidente também chamou a atenção para o desconhecimento
sobre o peso econômico e a quantidade de empregos gerados pelo setor cultural
brasileiro para o desenvolvimento econômico e profissional. “O mais importante é a gente conhecer o nosso país por
dentro, conhecer a nossa cultura, a razão das coisas que fizeram a gente chegar
onde nós chegamos”, disse Lula. Por fim, o presidente fez a conexão com outras políticas
públicas de sua gestão, como o recém-lançado MEC Livros, que já conta com o
acervo de mais de 25 mil livros. Ele destacou que o acesso à cultura, agora,
faz parte da política de habitação do governo. “Todo o conjunto habitacional
que a gente entregar, nesse país, vai ter uma biblioteca para que a pessoa
tenha acesso à cultura." O projeto contou com um investimento de R$ 9 milhões entre
2024 e 2025. Segundo o governo, o valor garantiu o licenciamento de um catálogo
diversificado, desenvolvimento tecnológico próprio e ferramentas completas de
acessibilidade. Histórias ainda não contadas Presente no lançamento, a ministra da Cultura, Margareth
Menezes disse que a motivação de criar a plataforma foi fazer com que o povo
brasileiro tenha acesso ao direito cultural. “Na questão do audiovisual, nós temos um gargalo ainda muito
grande na questão da distribuição. Como fazer o povo ter acesso a tudo o que se
produz, às coisas que são importantes, que referenciam o nosso país? Ela destacou que o audiovisual agrega todas as outras artes
como a música, o desenho. “Todo mundo trabalha e tem essa representatividade. A
nossa diversidade está no que a gente produz, só que o povo não tinha acesso.” Em sintonia com o discurso do presidente Lula, a ministra
celebrou a soberania, a miscigenação e a necessidade de resgatar o protagonismo
das figuras históricas do país. "O povo que se conhece, o povo que se vê, ele se
fortalece, porque nossas histórias são lindas. Temos os povos originários, os
povos africanos, os povos europeus, as pessoas que construíram esse país, as
histórias que nunca foram contadas.” Acervo da nova plataforma O acervo inaugural une conteúdos financiados pelo Fundo
Setorial do Audiovisual (FSA), obras guardadas por instituições do Sistema
MinC, como a Cinemateca Brasileira, o Centro Técnico Audiovisual (CTAv), a
Funarte e a Fundação Cultural Palmares. O foco é a diversidade, englobando o cinema negro, o cinema
indígena, produções dirigidas por mulheres, e temas urgentes como justiça
climática e sustentabilidade. A Tela Brasil já chega com acervo que cobre desde clássicos
históricos de 1910 até produções contemporâneas, de 2025. Ao todo, a plataforma inicia com 555 obras audiovisuais
brasileiras, divididas em: - 267 curtas-metragens; - 139 longas-metragens; - 85 médias-metragens ou telefilmes; - 64 obras seriadas. Entre elas: A Hora da Estrela, de Suzana Amaral; Xica da
Silva, de Cacá Diegues; Central do Brasil, de Walter Salles; e Cidade de Deus,
de Fernando Meirelles. Deus e o Diabo na Terra do Sol (1964), de Glauber Rocha;
Carandiru (2003), de Hector Babenco; e Olga (2004), de Jayme Monjardim, são
outras obras de destaque. O catálogo inicial inclui 19 títulos que já representaram o
Brasil na disputa pelo Oscar ao longo da história. Entre as categorias listadas pelo Ministério da Cultura
estão obras para a infância, juventude, de artes e de brasilidade. Na parte de diversidade cultural, entrou a categoria
Africanidades, que reúne obras audiovisuais que narram trajetórias, memórias e
experiências da população negra no Brasil, entrelaçando ancestralidade e
contemporaneidade. Acessibilidade é outro ponto central do projeto: todos os
títulos selecionados via edital público contam com audiodescrição, legendagem
descritiva e interpretação em Língua Brasileira de Sinais (Libras). "Importante destacar que tem pesquisa no meio sobre
acessibilidade. São obras com três recursos de acessibilidade, que envolvem
também discussão sobre preservação e memória. Há soluções tecnológicas e
soluções jurídicas sobre regulamentação. É política pública baseada em pesquisa
e evidência", disse a professora Luciana Peixoto Santa Rita, que
participou do projeto pela UFAL. Perfis de utilização Para começar a navegar, o usuário precisa de uma conta ativa
no sistema de login único do governo federal, o Gov.br. A plataforma tem duas
formas de navegação: Perfil Cidadão: qualquer pessoa pode acessar de forma
individual e gratuita a filmes, séries e documentários organizados por gêneros,
formatos e categorias, além de criar uma lista de favoritos. Perfil Direcionado: criado especialmente para exibições
coletivas e sem fins comerciais em salas de aula, cineclubes, pontos de
cultura, bibliotecas e museus de todo o país. Numa primeira fase, a plataforma funciona diretamente no
navegador de computadores (com opção de transmissão para Smart TVs). Os
aplicativos para celulares (Android e iOS) serão disponibilizados em um prazo
de 30 dias. Parcerias Durante o evento, também foi assinado um Acordo de
Cooperação Técnica (ACT) entre o Ministério da Cultura (MinC) e a TV Brasil,
emissora pública da Empresa Brasil de Comunicação (EBC) para expandir a oferta,
a circulação de conteúdos e a integração das políticas públicas para o
audiovisual brasileiro. A Tela Brasil foi desenvolvida com tecnologia brasileira,
pelo Ministério da Cultura (MinC) com o apoio da Universidade Federal de
Alagoas (UFAL).
Daniella Almeida/Rafael Cardoso/Aline Leal, com foto: Fernando Frazão/Agência Brasil
|