27/06/2026

Vai a juri popular policial que matou namorada por estrangulamento, após ela ser espancada e esfaqueada



BELO HORIZONTE, MG - O policial penal Rodrigo Caldas Fonseca, de 45 anos, acusado de matar a namorada, a auxiliar administrativa Priscilla Azevedo Mundim Pantuzza, de 46, será submetido a júri popular. A decisão foi tomada pela Justiça de Minas Gerais após a conclusão do exame de sanidade mental do réu, que apontou que ele tinha plena capacidade de compreender seus atos quando o crime aconteceu. 

Segundo a denúncia do Ministério Público, Priscilla foi esfaqueada, espancada, sofrendo ferimentos no rosto, tórax, braços e pernas, e, em seguida, morta por estrangulamento dentro do apartamento do acusado, na Rua Vereador Geraldo Pereira, no Bairro Padre Eustáquio, Região Noroeste de Belo Horizonte, durante a madrugada de 16 de agosto de 2025. 

Durante a manhã, ela foi encontrada morta, deitada na cama, enquanto o então namorado ameaçava tirar a própria vida. Ele chegou a se esfaquear na barriga, mas foi socorrido e sobreviveu. Ele foi preso após a sua recuperação. 

Rodrigo responderá por feminicídio cometido em contexto de violência doméstica e familiar, com as qualificadoras de meio cruel e recurso que dificultou a defesa da vítima. 

Depois da prisão, devido ao cargo público exercido pelo acusado, o Departamento Penitenciário (Depen) afirmou que seria instaurado um procedimento administrativo pela Corregedoria. A reportagem tentou vários contatos com a Secretaria de Estado de Justiça e Segurança Pública (Sejusp), na procura de atualizações sobre o processo, mas não houve resposta. 

Exame afasta hipótese de incapacidade mental 

O laudo psiquiátrico, realizado em maio deste ano, concluiu que Rodrigo "não apresenta dependência toxicológica nem alcoólica" e possui "normais capacidades de entendimento e de determinação" em relação aos fatos investigados. Na prática, o documento descarta que ele fosse incapaz de responder criminalmente pelo feminicídio. 

O exame havia sido pedido pela Justiça porque o policial penal estava afastado das funções desde o início de 2024 por problemas psiquiátricos, segundo informou a Secretaria de Estado de Justiça e Segurança Pública (Sejusp) na época do crime. 

Crime aconteceu após tentativa de término 

O feminicídio ocorreu na madrugada de 16 de agosto de 2025. Na noite anterior, Priscilla e Rodrigo participaram de uma confraternização na casa da irmã da vítima. Familiares relataram que, durante o encontro, o policial demonstrou ciúmes excessivos e chegou a se irritar por situações consideradas banais. 

Segundo parentes, Priscilla havia comentado que se sentia sufocada pelo comportamento possessivo do namorado e pretendia colocar fim ao relacionamento. 

Depois que o casal deixou a reunião, familiares tentaram contato para confirmar se eles haviam chegado ao apartamento, mas ninguém respondeu às mensagens nem às ligações. 

Na manhã seguinte, preocupados com o desaparecimento de Priscilla, a irmã dela e o cunhado foram até o apartamento de Rodrigo. Após diversas tentativas de contato, o policial atendeu ao telefone e disse apenas que havia "feito merda", pedindo que eles acionassem a Polícia Militar. 

Histórico de comportamento possessivo 

Durante a investigação, familiares e amigos disseram que Rodrigo monitorava os deslocamentos da companheira, cobrava explicações sobre publicações nas redes sociais e demonstrava comportamento controlador. 

A Polícia Civil concluiu que Priscilla havia decidido encerrar o relacionamento dois dias antes do crime, mas voltou a encontrar o namorado na noite anterior ao feminicídio. 

Também foi revelado que uma ex-companheira do policial registrou um boletim de ocorrência contra ele em 2024 por perseguição após o fim do relacionamento. Na ocasião, ela afirmou que Rodrigo insistia em procurá-la, permaneceu por horas na porta do local onde ela trabalhava e que pediu uma medida protetiva por temer o fácil acesso dele a armas de fogo em razão da profissão. 

EM, com foto: Reprodução/Redes Sociais

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