16/07/2026

Presidente do PL comenta briga de Flávio Bolsonaro com Michelle: “a gente faz qualquer coisa pra ganhar a eleição”



BRASÍLIA, DF - Durante entrevista ao programa "CB.Poder", parceria entre o Correio Braziliense e a TV Brasília, nesta quarta-feira (15/7), o presidente do PL, Valdemar Costa Neto, abordou o desentendimento entre a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro e o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), e comentou o prejuízo que a crise familiar pode trazer ao partido e ao cenário eleitoral. 

Apesar do resultado da pesquisa Genial/Quaest, publicada hoje, que mostra Flávio com 37% das intenções de voto, contra 45% do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), Valdemar disse acreditar que o filho de Jair Bolsonaro continua forte e o foco, neste momento, é manter o partido unido. 

“Eu não acredito nessa pesquisa. A Quaest é uma empresa séria, mas essa pesquisa... precisa ver. Achei até que tivesse sido feita só no Nordeste. Esses números não batem com as pesquisas que nós temos diariamente. O Lula teve uma pequena queda, não sei se por causa do Jacques Wagner, porque perdeu muito no Nordeste”, comentou. 

Para Valdemar, neste momento, o partido não pode errar. “Não podemos ter o nosso pessoal dividido. Em campanha, a gente faz qualquer coisa para ganhar a eleição. Às vezes, até convive com pessoas de quem não gosta. Nós não podemos perder uma pessoa como a Michelle”, opinou, referindo-se à briga de Michelle e Flávio.

"Maltratada, desrespeitada e humilhada" 

Em 24 de junho, Michelle publicou um vídeo em que diz ter sido "maltratada, desrespeitada e humilhada" por Flávio Bolsonaro durante uma ligação sobre as alianças eleitorais do PL no Ceará. No dia seguinte, Flávio pediu desculpas e disse que não tinha a intenção de insultá-la. No entanto, em 30 de junho, a ex-primeira-dama renunciou ao cargo de presidente do PL Mulheres, com a justificativa de que queria cuidar da família. 

Valdemar disse acreditar que a saída de Michelle é uma grande perda para o partido. Para ele, Flávio e a madrasta precisam lutar para vencer esse desentendimento, para que o partido possa continuar unido. “Michelle decidiu sair da presidência do PL Mulher. Para nós, é um grande prejuízo, porque ela construiu o PL Mulher. Ela construiu uma base grande no Brasil, em todos os estados, fez um trabalho maravilhoso. Eu ainda tenho esperança de que eles se entendam, porque nós não podemos brigar entre nós. Os dois têm dificuldade há muito tempo.” 

Em março de 2023, Michelle tomou posse como presidente do PL Mulher e, durante o mandato, criou políticas de incentivo à mulheres na política. Para Valdemar, ela soube usar o fundo partidário das mulheres para crescer no partido. “Ela fez um trabalho maravilhoso em todo o país. O PL Mulher funciona no Acre, em Roraima, em Rondônia. Ela correu o Brasil inteiro. Ela tem talento, fala bem, tem muitas qualidades e soube organizar o PL Mulher em todo o Brasil”, enfatizou. 

O presidente do PL comentou, ainda, que a ex-primeira-dama já tem uma vaga no Senado garantida. “Para mim, ela deve ser candidata ao Senado. Para o partido, ela não tem preço, porque está eleita. Se ela não for candidata, é um senador a menos. Um senador a gente dá a vida para ter. Ela tem uma eleição garantida hoje, pelas pesquisas. É um prejuízo muito grande para nós se ela não participar da campanha. A Michelle não é uma cidadã comum.” 

Correio Braziliense, com foto: Marcello Casal Jr/Agência Brasil

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