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31/07/2026
Lula diz que se filho for acusado de qualquer coisa, não terá privilégio: “ele não tem direito de errar”
BRASÍLIA, DF - O presidente Luiz Inácio Lula da Silva
afirmou, nesta quinta-feira (30/7), que o filho, o empresário Fábio Luís Lula
da Silva, conhecido como Lulinha, não terá tratamento privilegiado por conta do
cargo público do pai. Em entrevista ao podcast Inteligência Ltda., Lula disse
que não usará sua posição para interferir em eventuais investigações. "Se o meu filho for acusado de qualquer coisa, ele será
tratado como filho de qualquer pessoa, como eu. Não haverá nenhum privilégio.
Eu jamais pedirei a um delegado ou juiz para não fazer as coisas corretas. Se
ele estiver certo, terá a minha ajuda. Se fizer coisa errada, ele sabe o que eu
passei", afirmou. O presidente confirmou que o filho está na Espanha e
descartou a possibilidade de fuga, afirmando que ele retornará ao país caso
seja necessário responder à Justiça. "Ele não tem o direito de errar. Ele
jura todo dia que, se for julgado, virá para cá. Não vai ficar escondido. Não
vou utilizar meu cargo para protegê-lo. Ele vai ter que provar que é inocente,
como eu provei. E, se for culpado, vai ter que pagar o que todo mundo paga
quando erra", disse. Lula também criticou a Operação Lava Jato, ao afirmar que a
investigação teve impactos pessoais em sua família. "Ele sabe o que é ver
um pai de cinco filhos vendo a televisão chamar a família de ladrão o tempo
todo. Ele sabe que a minha mulher morreu por causa da desgraça da Lava
Jato", declarou. Mais cedo, a Polícia Federal abriu inquérito para apurar
suspeitas de tráfico de influência e corrupção envolvendo Lulinha, em processos
ligados à autorização para comercialização de cannabis medicinal no Ministério
da Saúde. Segundo a corporação, o empresário teria atuado em parceria
com Roberta Luchsinger e o lobista Antônio Carlos Camilo Antunes, conhecido
como "Careca do INSS". O grupo teria operado no mercado de canabidiol
em favor da empresa World Cannabis, ligada a Antunes. Entenda o caso Fábio Lula da Silva e Roberta negaram atuar no mercado de
cannabis e de realizar qualquer tentativa de beneficiar a empresa World
Cannabis. Os advogados do filho do presidente Lula, disseram, anteriormente,
que o cliente "tampouco recebeu convite para associação, participação ou
compra de cotas". No entanto, admitiram que ele teve uma viagem a Portugal
paga pelo Careca do INSS em 2024. Roberta Luchsinger afirmou que prestou consultoria para o
Careca do INSS na área de cannabis, mas que o contrato não tratou do comércio
de nenhuma substância. Lulinha teria atuado em prol da empresa junto ao
Ministério da Saúde e a Presidência da República. No documento enviado ao Supremo, os investigadores pedem o
compartilhamento de informações já coletadas na Operação Sem Desconto, que
investiga fraudes no INSS. No entanto, os investigadores apontam que a situação
é alheia aos descontos ilegais em benefícios de aposentados e pensionistas da
Previdência, mas tem conexão em razão dos envolvidos. O pedido da PF foi enviado ao STF na sexta-feira (24), mas
apreciado nesta quinta-feira (30), quando o magistrado autorizou a abertura de
investigação por considerar que existem indícios mínimos para justificar o
início das diligências. Mendonça foi escolhido por sorteio e a decisão dele
levou em consideração parecer da Procuradoria-Geral da República (PGR), que
também viu indícios de crime. Em discurso no ano passado, o presidente Lula chegou a dizer
que o filho deveria ser investigado, caso se apresentem provas suficientes que
indiquem a participação dele em qualquer irregularidade. "Ninguém ficará
livre. Se tiver filho meu metido nisso será investigado. Se tiver o Haddad
(ex-ministro da Fazenda) , vai ser investigado, o Rui Costa (ministro-chefe da
Casa Civil) com essa seriedade, vai ser investigado", afirmou. (com
informações de Renato Souza e Armando Holanda).
Correio Braziliense, com foto: Fernando Frazão/Agência Brasil
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