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06/08/2026
Itaú é alvo de ação milionária por falhas em agência: filas sob o sol, demora no atendimento e falta de banheiros
RESPLENDOR, MG - Filas que começam de madrugada, espera de
até três horas e consumidores expostos ao sol motivaram uma ação civil pública
contra uma agência do Itaú em Resplendor, no Vale do Rio Doce. O Ministério
Público de Minas Gerais (MPMG) pede que o banco seja condenado a pagar, no
mínimo, R$ 12,5 milhões por danos morais coletivos. A unidade deve encerrar as
atividades nos próximos dias. De acordo com o MP, a Promotoria de Justiça de Resplendor
instaurou um procedimento para apurar a qualidade do atendimento prestado pela
agência 3203 do Itaú. Durante a investigação, foram reunidos depoimentos de
clientes, documentos e registros fotográficos que, segundo o órgão, comprovam a
exposição frequente dos consumidores a condições inadequadas enquanto
aguardavam atendimento. Entre as irregularidades apontadas na ação, está a formação
de filas do lado de fora da agência, muitas vezes sob forte incidência de sol e
sem qualquer estrutura para acomodar os clientes, como ausência de banheiros e
assentos, além de operar com número insuficiente de funcionários para atender a
demanda. Outro ponto destacado na ação é a suposta retenção da
emissão de senhas. Segundo o MP, a prática fazia com que o tempo de espera
registrado pelo sistema fosse inferior ao efetivamente enfrentado pelos
clientes. Conforme os relatos colhidos pela Promotoria, havia consumidores que
chegavam à agência ainda durante a madrugada e permaneciam por até três horas
aguardando atendimento. O órgão sustenta que a situação afetou principalmente um
público considerado hipervulnerável – pessoa que tem uma fragilidade maior do
que o normal em uma situação de compra ou relação com empresas. Dados
apresentados na ação mostram que, dos 4.181 clientes da agência, 83,7% são
beneficiários do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS). Além disso,
aproximadamente 41% dessas pessoas não utilizam prioritariamente os canais
digitais para realizar operações bancárias. Fechamento da agência A situação, segundo o órgão, tende a se agravar com o
fechamento definitivo da unidade. Isso porque as contas dos clientes serão
transferidas para uma agência em Aimorés, município localizado a cerca de 28
quilômetros de Resplendor. Na avaliação do MP, a mudança obrigará idosos,
pessoas com deficiência e outros consumidores a se deslocarem para outra cidade
apenas para acessar serviços bancários considerados essenciais. Embora o encerramento das atividades da agência tenha sido
citado na ação, o Ministério Público esclarece que o pedido de indenização não
está relacionado apenas ao fechamento da unidade, mas principalmente ao
histórico de falhas no atendimento prestado aos consumidores ao longo dos
últimos anos. Como fundamento jurídico, a ação destaca a chamada
"Teoria do Desvio Produtivo do Consumidor". O entendimento reconhece
que o cidadão pode ter direito à indenização quando é obrigado a desperdiçar
tempo que seria destinado ao trabalho, aos estudos, ao descanso ou ao convívio
familiar para resolver problemas causados pela má prestação de serviços de uma
empresa. “O Ministério Público não pretende prejudicar a livre
iniciativa de qualquer empresa. O que se busca é submeter essa liberdade aos
limites concretos impostos pela boa-fé objetiva, pela função social da
atividade econômica, pela legislação consumerista e pelas normas de atendimento
e acessibilidade”, destaca o promotor de justiça Rafael da Silva Braga. Caso a Justiça acolha o pedido e condene a instituição
financeira, o valor da indenização de R$ 12,5 milhões será destinado ao Fundo
Estadual de Proteção e Defesa do Consumidor (FEPDC). O fundo financia projetos
de educação para o consumo, campanhas de conscientização, fortalecimento dos
órgãos de defesa do consumidor e outras iniciativas voltadas à prevenção e
reparação de danos coletivos. Segundo o Ministério Público, os recursos também poderão
retornar em benefício direto da população de Resplendor, por meio do
financiamento de projetos sociais, estruturais e educativos que contribuam para
compensar os prejuízos causados à comunidade. Defesa A reportagem do Estado de Minas entrou em contato com o Itaú
para solicitar posicionamento sobre a ação. Até a publicação desta reportagem,
o banco não havia se manifestado. O espaço segue aberto.
EM, com foto: Divulgação/MPMG
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