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02/09/2026
Fim da escala 6x1 sem redução salarial é aprovado na principal comissão do Senado e vai a Plenário
BRASÍLIA, DF - A Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) do
Senado aprovou nesta quarta-feira (2) a proposta de emenda à Constituição que
acaba com a chamada escala 6x1 – seis dias de trabalho e um de repouso. A
matéria vai a Plenário. A PEC 221/2019, relatada pelo senador Omar Aziz (PSD-AM),
reduz a jornada máxima de trabalho semanal de 44 para 40 horas. A proposta fixa
período de até oito horas diárias, com possibilidade de compensação de horários
e redução da jornada por acordo ou convenção coletiva de trabalho. O texto
também estabelece repouso semanal remunerado de dois dias, um deles
preferencialmente aos domingos, sem redução salarial. O texto original foi aprovado em votação simbólica (havia 27
senadores presentes), com votos contrários de Rogério Marinho (PL-RN), Jaime
Bagattoli (PL-RO), Hamilton Mourão (Republicanos-RS) e Tereza Cristina
(PP-MS). Os senadores aprovaram requerimento para tramitação da PEC em
calendário especial no Plenário, para abreviar os prazos regimentais. Tendo como primeiro signatário o deputado federal Reginaldo
Lopes (PT-MG), a PEC havia sido aprovada no Plenário da Câmara em maio deste
ano. Na CCJ do Senado foram apresentadas 36 emendas, todas rejeitadas pelo
senador Omar Aziz. O relator explicou que alterações retornariam o texto à nova
deliberação dos deputados, mas salientou que serão, sim, necessários alguns
ajustes a serem propostos em outras matérias. Os senadores da CCJ rejeitaram destaque a uma emenda
apresentada pelo senador Rogério Marinho, que afirmou não ser razoável que o
texto da Constituição defina jornada e escala de trabalho. Ele defendeu que “a
escala possa ser mutável”, de forma que não seja imposta a todos uma escala
única. Rogério Marinho chegou a pedir vista regimental, após quase
cinco horas de debate, o que levou a uma suspensão da reunião durante uma hora,
concedida pelo presidente da CCJ, senador Otto Alencar (PSD-BA). Reiniciada a
reunião, Omar Aziz alegou que qualquer alteração no texto original exigiria
devolver a PEC à Câmara. A PEC agora segue ao Plenário, onde tem que passar por cinco
sessões de discussão antes da votação em primeiro turno. Para ser aprovada,
precisa do voto de três quintos dos senadores, o equivalente a 49 dos 81
parlamentares, em dois turnos de votação. Entre o primeiro e o segundo turno,
deve ser cumprido o intervalo previsto pelo Regimento da Casa. Esses prazos
podem ser reduzidos por acordo. Apoio Durante a leitura do parecer, o senador Omar Aziz rebateu
críticas à PEC com relação a possíveis consequências para a economia
brasileira. Ele lembrou que, em décadas passadas, a introdução do 13º salário e
da redução da jornada semanal de 48 para 44 semanais não prejudicaram o país.
Disse ainda que se estima que a nova jornada irá beneficiar mais de 37 milhões
de trabalhadores, dos quais mais de 57% são mulheres, com jornada múltipla de
atividades. O relator ressaltou ainda que pesquisas comprovam que “o trabalhador
descansado rende mais e erra menos”. “Esse patamar [44 horas semanais] permanece inalterado há 38
anos, período ao longo do qual a economia brasileira passou por transformações
profundas em produtividade, incorporação tecnológica e organização produtiva. A
revisão do parâmetro constitucional não é, nesse contexto, ruptura, mas
atualização há muito devida”, expôs o relator. Assim como os senadores Teresa Leitão (PT-PE), Fabiano
Contarato (PT-ES) e Rogério Carvalho (PT-SE), a senadora Eliziane Gama (PSD-MA)
também salientou que todas as vezes que o Congresso Nacional assegura direitos
trabalhista, “o discurso é sempre o mesmo: de que a economia vai quebrar”. “Com a aprovação do fim da escala 6x1, nós vamos dar
dignidade, nós vamos dar saúde mental, e nós vamos melhorar a produtividade no
Brasil, nós vamos melhorar a produção do trabalho neste país”, disse Eliziane. Presidente da Comissão de Assuntos Econômicos (CAE), o
senador Renan Calheiros (MDB-AL) disse ser imperiosa a redução da jornada de
trabalho, que “conta com o com apoio de 70% da sociedade brasileira, além de
ser uma tendência irrefreável no mundo todo”. O senador Weverton (PDT-MA)
destacou países vizinhos que também estão fazendo alterações nas jornadas de
trabalho, entre eles Chile, Colômbia e México. Reverenciado por vários senadores pela luta de uma vida em
prol dos trabalhadores, o senador Paulo Paim (PT-RS) lembrou que foram
promovidos dois debates temáticos sobre o tema no Plenário do Senado e pediu
celeridade na aprovação da matéria no Plenário. “Não tem sentido não votar esse tema. É um suicídio
político. Essa PEC tem de ser votada agora e não depois das eleições. Os
empresários não terão prejuízo, pelo contrário. A história mostrou isso.
Por que agora ter tanto medo?”, questionou. A PEC também foi defendida pelos senadores Veneziano Vital
do Rêgo (MDB-PB), Dra. Eudócia (PSDB-AL), Zenaide Maia (PSD-RN), Lourdinha
Pereira (PSB-MA), Styvenson Valentim (Podemos-RN), Cid Gomes (PSB-CE) e
Cleitinho (Republicanos-MG). Ressalvas Alguns senadores manifestaram voto favorável à PEC no
mérito, mas fizeram ressalvas pontuais. O senador Alessandro Vieira (MDB-SE)
disse que o momento não é o ideal para a economia, “com custo considerável do
aumento do custo de vida”. Apesar de garantir voto sim à matéria, o senador
Zequinha Marinho (Podemos-PA) ponderou que essa será “uma conta a ser paga por
todos”. Oriovisto Guimarães (PSDB-PR) disse que a matéria “é contra
os mais humildes”, em especial aqueles que não tem carteira assinada, porque
“vai provocar aumento de preço”. Para o senador Eduardo Braga (MDB-AM), a PEC
“exige uma adaptação estrutural da legislação e das empresas para evitar
elevação de custos operacionais e, consequentemente, inflação de
serviços”. O senador Vanderlan Cardoso (PSD-GO) disse que é empregador
e defendeu a flexibilização da jornada de trabalho, o que segundo ele “também é
uma opção para o trabalhador e para o empregador”. Ele relatou que
precisou reduzir a jornada nas suas empresas por falta de mão de obra. Magno Malta (PL-ES) defendeu uma regulamentação para
mitigação de possíveis prejuízos aos empregadores e à economia. Para Tereza
Cristina (PP-MS), a pressa na votação traz preocupação: “É muito complicado
colocar na Constituição a definição de uma escala fixa.” Oposição O senador Dr. Hiran (PP-RR) afirmou que “a PEC tem um viés
eleitoreiro”. Rogério Marinho disse que “o debate está contaminado pelo
processo político”. As afirmações foram rebatidas pelo líder do governo no
Congresso, senador Randolfe Rodrigues (PT-AP). Marinho reclamou por matérias análogas não terem sido
apensadas à PEC 221, entre elas a PEC 12/2026, de sua autoria, que prevê a
possibilidade de opção pelos empregados quanto à jornada de trabalho. Jaime Bagattoli afirmou que as empresas não terão como
manter a mesma produção com a redução de 44 horas para 40 horas semanais. Para
o senador, “a PEC vai gerar inflação e vai complicar a vida dos empresários no
Brasil”. “Não adianta nós dizermos que não vai aumentar os custos.
Vai aumentar os custos sim. Não estou pensando em política, estou pensando nas
futuras gerações. Quando nós nos deparamos com o fato de que nós não temos
mais a mão de obra no Brasil”, enfatizou Bagattoli. O que diz a PEC A redução da jornada e a ampliação do repouso semanal
remunerado se aplicam aos contratos vigentes, sem qualquer redução salarial —
nominal, proporcional ou de outra natureza —, regra que também vale para os
pisos salariais. A transição ocorre em duas etapas: dois meses após a
publicação da emenda, a jornada máxima cai para 42 horas semanais; um ano e
dois meses depois, chega a 40 horas. Durante essa transição, acordo ou
convenção coletiva pode ampliar a jornada diária para acomodar as 42 horas
semanais, desde que mantidos os dois dias de repouso. Convenções coletivas também podem instituir compensação do
repouso, desde que a média mensal garanta dois dias de folga por semana, com ao
menos um dia a cada sete. Lei ordinária poderá prever regimes diferenciados de
jornada e repouso, respeitados os limites constitucionais. Cláusulas de acordos coletivos incompatíveis com as novas
regras perdem validade dois meses após a publicação da emenda. A entrada em
vigor da mudança não implicará redução proporcional das jornadas já fixadas em
patamar igual ou inferior a 40 horas semanais, sem prejuízo do segundo dia de
repouso semanal remunerado. Lei complementar poderá prever regras de transição
para MEIs, microempresas e pequenas empresas, condicionadas à manutenção do
nível de emprego. Regras especiais As novas regras de duração e controle de jornada não valem
para empregados com diploma superior que recebam ao menos 2,5 vezes o teto do
RGPS – salvo por liberalidade do empregador ou previsão em acordo coletivo – mantidas
as regras de repouso. Também não se aplicam a servidores públicos de nenhum dos
Poderes da União, dos estados, do Distrito Federal e dos municípios, cabendo à
Justiça do Trabalho julgar disputas sobre o tema. Em contratos vigentes da administração pública que envolvam
mão de obra (inclusive concessões de serviços e obras), a redução de jornada só
vale após aditamento contratual – a ser formalizado em até um ano – para preservar
o equilíbrio econômico-financeiro. Já o segundo dia de repouso independe de
aditamento e passa a valer dois meses após a publicação da emenda.
Trabalhadores alocados nesses contratos passam a ter jornada reduzida na data
do aditamento ou, no limite, ao fim de um ano, com garantia de irredutibilidade
salarial.
Agência Senado, com foto: Geraldo Magela/Agência Senado
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