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06/09/2026
Nikolas admite que republicou laudo falso da PF negando crime nas mensagens dele com Vorcaro
BELO HORIZONTE, MG - O deputado federal Nikolas Ferreira
(PL-MG) republicou em suas redes sociais um documento falso atribuído à Polícia
Federal (PF) que dizia não haver indícios de crime nas mensagens trocadas entre
ele e o empresário Daniel Vorcaro, ex-dono do Banco Master. A informação foi
confirmada pela assessoria do parlamentar ao Estado de Minas, que reforçou que
Nikolas apagou a publicação depois de descobrir que o conteúdo era falso. "O falso relatório foi postado em um portal. Nikolas
republicou o conteúdo por meio desse portal de notícias. Depois que descobriu
que o conteúdo era falso, ele deletou", informou a assessoria. A PF confirmou ao Estado de Minas, nesta sexta-feira (4/9),
que o relatório não foi produzido pela corporação. Documento falso O material que circulou nas redes sociais informava que as
mensagens trocadas por Nikolas e Vorcaro indicariam apenas um "contato de
natureza pessoal e profissional entre os interlocutores". O texto também
dizia que não haveria elementos suficientes para sugerir a abertura de uma
investigação específica contra o deputado. A imagem começou a circular nessa quinta-feira (3/9), após a
divulgação de mensagens e áudios trocados entre Nikolas e Vorcaro. Conforme
apurado pelo Estadão Verifica, uma marca d’água identificada no conteúdo indica
que a imagem foi gerada com ferramentas da OpenAI, empresa responsável pelo
ChatGPT. Uma das inconsistências do documento está na data atribuída
à elaboração. O relatório falso aparece como produzido em 18 de novembro de
2025, um dia após a primeira prisão de Vorcaro. O relatório verdadeiro da PF
tornado público nesta semana, por outro lado, é datado de 27 de agosto de 2026. Conversas entre Nikolas e Vorcaro As mensagens entre o deputado e o empresário vieram a
público nessa quinta-feira. Em um dos diálogos divulgados, Nikolas chama
Vorcaro de "Dani" e diz que gostaria de ter "mais
proximidade" dele. Em outro trecho, o deputado pede ajuda para uma demanda
relacionada à liberação de um ativo minerário. O pedido foi feito em áudio
enviado ao banqueiro em março de 2025. No mesmo áudio, o deputado retomou um episódio envolvendo um
fórum realizado em Londres e voltou a se desculpar com Vorcaro. Anteriormente,
Nikolas havia questionado nas redes sociais o custeio da viagem de ministros ao
evento. Ao banqueiro, o parlamentar disse que não sabia que o Banco Master
estava envolvido no evento quando publicou as críticas sobre a participação de
autoridades brasileiras no encontro. "Não fazia ideia que era este o banco do Dani. Senão,
obviamente, eu não teria postado, já teria conversado anteriormente",
disse. Nikolas reconheceu, porém, que a publicação já havia sido
feita. “A palavra dita não tem como voltar”, comentou. Depois, relatou esperar
que o episódio estivesse esclarecido e sugeriu um novo encontro com Vorcaro. Em vídeo divulgado após a publicação das conversas, Nikolas
negou irregularidades e ressaltou que nunca recebeu dinheiro de Vorcaro. Banqueiro disse ter bancado voos Também vieram a público mensagens nas quais Vorcaro relata
ter bancado "todos os voos" utilizados por Nikolas. A declaração foi
feita em uma conversa com o empresário Flávio Carneiro, em abril de 2024. “Esse
Nikolas eu banquei todos os voos", escreveu o banqueiro. Na sequência,
ameaçou divulgar informações sobre o deputado. As mensagens, porém, não esclarecem quantos voos teriam sido
pagos por Vorcaro nem a qual período a afirmação se refere. No segundo turno
das eleições de 2022, Nikolas utilizou um jato de Vorcaro durante cerca de dez
dias para participar de ações de campanha em apoio ao então presidente Jair
Bolsonaro (PL). A agenda passou por nove estados e pelo Distrito Federal. O uso da aeronave foi revelado em março pela jornalista Malu
Gaspar, de O Globo. Na ocasião, Nikolas alegou que não sabia quem era o
proprietário do avião quando aceitou o convite para participar das atividades
de campanha e que só posteriormente descobriu que a aeronave pertencia a
Vorcaro.
EM, com foto: Pablo Valadares/Câmara dos Deputados
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