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30/09/2026
Imagem de Santa Dulce dos Pobres é destruída: “não podemos permitir essa violência”, diz padre
SALVADOR, BA - Uma imagem de Santa Dulce dos Pobres foi
retirada de um altar e destruída dentro da Paróquia Jesus Cristo Ressuscitado,
no bairro de Plataforma, em Salvador. O episódio, registrado na Polícia Civil
em 22 de setembro, ganhou repercussão nas redes sociais no domingo (27/9) e
será investigado pela Delegacia Especializada de Combate ao Racismo e à
Intolerância Religiosa. Até o momento, ninguém foi preso. Ao Correio, a paróquia afirmou que uma pessoa entrou na
igreja e levou a imagem da primeira santa brasileira do altar lateral até uma
área próxima à mesa eucarística, onde a peça foi quebrada. Não foram divulgadas
informações sobre a identidade de quem praticou o ato ou sobre a possível
motivação. Responsável pela paróquia, o padre Marcos Studart afirmou
que o episódio precisa ser tratado não apenas como uma agressão ao espaço
religioso, mas como um alerta para outras formas de violência e intolerância. “Ao mesmo tempo que buscamos a paz, buscamos a verdade e a
justiça. Não podemos permitir essa violência em nenhum âmbito, nem no nosso e
nem no dos nossos vizinhos”. Ao comentar o estado em que a imagem foi encontrada, o
sacerdote disse que a cena também o levou a refletir sobre a possibilidade de
responder à violência sem reproduzi-la. Para ele, a destruição da peça pode
assumir um significado de apelo à convivência. “Uma imagem quebrada, partida, nos convida a rezar, por um
mundo de compreensão e de paz.” Studart defendeu ainda que divergências religiosas ou de
outras naturezas sejam discutidas sem que o respeito às escolhas alheias exija
o abandono das próprias convicções. A mensagem, segundo ele, deve ser de
diálogo em um momento no qual a violência já ocupa espaço excessivo na
sociedade. 
Investigação Em nota ao Correio, a Polícia Civil informou que a apuração
ficará sob responsabilidade da Delegacia Especializada de Combate ao Racismo e
à Intolerância Religiosa. A investigação deverá esclarecer quem entrou na igreja, em
quais circunstâncias a imagem foi destruída e se houve motivação relacionada à
intolerância religiosa. Religião no debate eleitoral A repercussão do caso ocorre em um momento em que símbolos
da fé católica também passaram a ocupar espaço no debate político e eleitoral.
Nos últimos dias, uma disputa envolvendo publicações sobre Nossa Senhora
Aparecida chegou ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE) e ao Supremo Tribunal
Federal (STF). O ministro André Mendonça, atuando no TSE, determinou a
retirada de publicações que atribuíam a Flávio Bolsonaro (PL) e a integrantes
da direita a intenção de retirar de Nossa Senhora Aparecida o título de
Padroeira do Brasil. Flávio Dino, do STF, derrubou posteriormente parte da
determinação, mas Luiz Fux suspendeu a decisão do colega e restabeleceu os
efeitos da ordem eleitoral enquanto o tema aguarda análise colegiada.
Correio Braziliense, com fotos: Paróquia Jesus Ressuscitado/Material Cedido ao Correio
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