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03/10/2026
3 pesquisas apontam que estabilidade do eleitorado reduz espaço para Flávio alcançar Lula
BRASÍLIA, DF - Nas vésperas do primeiro turno, as pesquisas
Datafolha, Quaest e AtlasIntel mostram uma eleição altamente concentrada em
Lula (PT) e Flávio Bolsonaro (PL-RJ), com pouca movimentação entre os dois
principais candidatos. Essa estabilidade cria uma dificuldade adicional para
quem aparece numericamente atrás: Flávio não precisa apenas conquistar novos
votos, mas crescer mais do que Lula para reduzir a distância. No Datafolha divulgado nesta sexta-feira (2), Lula aparece
com 42% das intenções de voto, contra 38% de Flávio. Em votos válidos, são 45%
a 40%. Na Quaest, divulgada na segunda-feira (28), o placar é de 39% a 34%. A
AtlasIntel/Bloomberg registra 45,3% para Lula e 42,2% para Flávio. Os três
levantamentos, portanto, colocam Lula numericamente à frente no primeiro turno. Mais importante do que comparar os percentuais de institutos
que usam metodologias diferentes é observar o movimento dentro de cada
pesquisa. E, nesse ponto, não aparece até agora uma mudança brusca na estrutura
da disputa. No Datafolha anterior, Lula tinha 40% e Flávio, 36%. Os dois
cresceram exatamente dois pontos e chegaram a 42% e 38%. A diferença permaneceu
em quatro pontos. Na Quaest, Lula passou de 37% para 39%, enquanto Flávio foi
de 33% para 34%. A distância aumentou de quatro para cinco pontos. A Atlas também não registrou uma virada. Lula passou de
45,8% para 45,3% e Flávio, de 43,4% para 42,2%. As duas variações ficaram
dentro da margem de erro, e a distância nominal entre eles passou de 2,4 para
3,1 pontos. É essa estabilidade que pesa na reta final. Se os dois
candidatos crescem ou recuam juntos, a ordem da disputa não muda. Para Flávio
alcançar Lula no primeiro turno, seria necessária uma movimentação relativa a
seu favor maior do que a observada nas últimas rodadas. Eleitores estão cada vez mais decididos Outro número ajuda a explicar por que grandes mudanças ficam
mais difíceis à medida que a votação se aproxima. Segundo o Datafolha, 82% dos eleitores que já escolheram um
candidato dizem estar totalmente decididos, contra 80% na semana anterior.
Apenas 17% admitem mudar de voto até domingo. A cristalização é ainda maior justamente entre os dois
principais candidatos: 88% dos eleitores de Lula e 87% dos eleitores de Flávio
afirmam estar convictos da escolha. Entre os eleitores de Augusto Cury, o
índice cai para 62%; entre os de Ronaldo Caiado, para 55%; e entre os de Renan
Santos, para 61%. Isso mostra onde ainda existe maior possibilidade de
movimentação: não principalmente dentro das bases de Lula e Flávio, mas entre
os eleitores das candidaturas menores e entre aqueles que ainda não
consolidaram uma escolha. A pesquisa espontânea do Datafolha reforça esse processo.
Lula passou de 36% para 39% e Flávio, de 27% para 31%. Ao mesmo tempo, a
parcela que não sabia em quem votar caiu de 18% para 13%. Ou seja, a reta final está produzindo definição do voto, mas
até agora sem alterar substancialmente a posição dos dois primeiros colocados. Uma semana de fatos políticos sem ruptura nas pesquisas A estabilidade chama atenção também pelo volume de
acontecimentos que atingiram a campanha nos últimos dias. Flávio enfrentou novas revelações sobre sua relação com
Daniel Vorcaro. Mensagens extraídas pela Polícia Federal do celular do ex-dono
do Banco Master registram cerca de três meses de conversas e referências a seis
encontros entre os dois. Os registros também mostram tentativas de contato de
Flávio nos quatro dias anteriores à prisão do banqueiro. A campanha também foi atravessada pela controvérsia
envolvendo Nossa Senhora Aparecida, que mobilizou candidatos, lideranças
religiosas e decisões judiciais. Lula, por sua vez, chegou à reta final com uma sequência de
medidas e propostas de forte repercussão: reajuste de 15% do Bolsa Família,
proibição das bets e promessa de fornecimento de canetas emagrecedoras pelo
SUS. O Datafolha mostra que essas medidas têm apoio majoritário.
A proibição das bets é defendida por 78% dos entrevistados; 68% apoiam o
fornecimento das canetas pelo SUS; e 64% são favoráveis ao reajuste do Bolsa
Família. Nada disso permite afirmar que uma determinada notícia ou
medida tenha produzido diretamente uma oscilação eleitoral. Vários
acontecimentos ocorreram simultaneamente e as variações precisam ser
consideradas dentro das margens de erro. O que é possível observar é que, mesmo diante de uma semana
politicamente movimentada, não houve até agora uma ruptura clara na relação de
forças entre Lula e Flávio. Religião mostra uma das divisões mais nítidas Os recortes religiosos ajudam a enxergar como as bases dos
dois candidatos estão consolidadas. Entre católicos, Lula chega à reta final perto de 50% nos
três levantamentos. Tem 50% no Datafolha, 48% na Quaest e 49,8% na Atlas.
Flávio registra, respectivamente, 32%, 29% e 40,4%. Além da fotografia, houve movimento relevante em dois
institutos. No Datafolha, Lula passou de 45% para 50% entre católicos em
uma semana, enquanto Flávio oscilou de 33% para 32%. A distância entre os dois
nesse segmento passou de 12 para 18 pontos. Na Quaest, Lula também cresceu cinco pontos entre católicos,
de 43% para 48%. Flávio passou de 27% para 29%. A diferença aumentou de 16 para
19 pontos. A margem específica desse segmento é de três pontos percentuais. A Atlas não registrou o mesmo avanço. Lula ficou
praticamente estável entre católicos, com 49,8%, variação inferior a um ponto
em relação à rodada anterior. Flávio também permaneceu estável, com 40,4%. O movimento ocorreu durante a semana em que a controvérsia
sobre Nossa Senhora Aparecida ganhou espaço na campanha. A coincidência
temporal é relevante para a análise, mas as pesquisas não permitem atribuir o
avanço de Lula entre católicos exclusivamente ao episódio. Entre evangélicos, Flávio mantém ampla vantagem A fotografia se inverte entre os evangélicos. No Datafolha, Flávio chega a 52%, contra 26% de Lula. Na
Quaest, são 46% a 27%. Na Atlas, a diferença é ainda maior: 62,7% para Flávio e
20,8% para Lula. Mas os institutos divergem sobre o movimento ocorrido nesse
grupo. No Datafolha, Flávio cresceu cinco pontos entre evangélicos,
de 47% para 52%, enquanto Lula oscilou de 27% para 26%. A vantagem do candidato
do PL passou de 20 para 26 pontos. A Atlas encontrou movimento ainda mais forte. Lula caiu de
29,3% para 20,8% entre evangélicos, uma redução nominal de 8,5 pontos. Flávio
avançou dois pontos e chegou a 62,7%. A Quaest mostrou direção diferente: Lula passou de 23% para
27%, enquanto Flávio foi de 49% para 46%. A margem de erro específica entre
evangélicos é de quatro pontos, o que exige cautela na interpretação dessas
oscilações. As três pesquisas, portanto, não permitem afirmar que houve
uma movimentação uniforme entre evangélicos. Mas convergem na fotografia:
Flávio mantém vantagem ampla nesse eleitorado, enquanto Lula lidera entre
católicos. Mulheres, Nordeste e Sul também dividem as bases A diferença entre homens e mulheres aparece nos três
levantamentos, embora em intensidades distintas. No Datafolha, Lula tem 45% entre mulheres e Flávio, 35%.
Entre homens, ambos aparecem com 40%. A Atlas encontra uma divisão ainda maior:
Lula registra 57,4% entre mulheres, contra 32,9% de Flávio; entre homens,
Flávio tem 52,4% e Lula, 32,1%. A geografia eleitoral também é bastante definida. No Nordeste, o Datafolha registra 56% para Lula e 26% para
Flávio. A Atlas encontra 55,7% a 32,7%. No Sul, ocorre o contrário: Flávio tem
50% contra 30% de Lula no Datafolha e 54% a 32,2% na Atlas. O Sudeste apresenta um cenário muito mais equilibrado. No
Datafolha, Lula tem 40% e Flávio, 39%. Na Atlas, são 43,5% a 42,4%. Os números ajudam a explicar a estabilidade nacional. Lula e
Flávio chegam à reta final sustentados por grupos bastante definidos, com
poucas evidências até agora de deslocamentos maciços entre essas bases. Segundo turno é uma disputa diferente A estabilidade do primeiro turno, porém, não significa que
uma eventual segunda rodada repetiria a mesma diferença. É justamente nesse ponto que as pesquisas apresentam outro
cenário. No Datafolha, Lula tem 48% contra 45% de Flávio em um
segundo turno, diferença dentro da margem de erro. Na Quaest, os dois aparecem
com 42%. Na Atlas, o empate é praticamente absoluto: 47,6% para Lula e 47,7%
para Flávio. A razão está na redistribuição dos votos das candidaturas
menores. O Datafolha mostra que, entre os atuais eleitores de Augusto
Cury, 44% escolheriam Flávio num segundo turno e 30%, Lula. Entre os eleitores
de Caiado, são 46% para Flávio e 30% para Lula. Entre os de Renan, 54%
migrariam para Flávio e 28% para Lula. Flávio, portanto, reduz a diferença quando o eleitor é
colocado diante de uma escolha exclusivamente entre os dois principais
candidatos. Isso não elimina o efeito da estabilidade atual sobre o
primeiro turno. São duas situações diferentes. Para ultrapassar Lula já no
domingo, Flávio precisaria produzir nos últimos dias uma movimentação que as
rodadas mais recentes de Datafolha, Quaest e Atlas ainda não registraram. Rejeição também ajuda a cristalizar a disputa Há outro obstáculo para grandes movimentos: os dois
principais candidatos também concentram rejeição. No Datafolha, Lula e Flávio têm exatamente 45% de eleitores
que dizem não votar neles de jeito nenhum. Os índices são os mesmos da rodada
anterior. Isso ajuda a formar uma eleição com dois fenômenos
simultâneos: bases muito fiéis e contingentes também elevados de eleitores
resistentes ao adversário. A reta final, portanto, não mostra ausência de disputa. Pelo
contrário: os cenários de segundo turno permanecem apertados. O que Datafolha, Quaest e Atlas mostram nesta semana é que
essa disputa ocorre dentro de um eleitorado cada vez mais definido. Lula
permanece numericamente à frente no primeiro turno nos três levantamentos,
enquanto Flávio continua sem apresentar, nas rodadas mais recentes desses
institutos, uma movimentação suficiente para inverter essa ordem. Com poucos dias até a votação e mais de oito em cada dez
eleitores de Lula e Flávio declarando convicção no voto no Datafolha, a
variável central da reta final passa a ser justamente aquela que as pesquisas
menos mostraram até agora: uma mudança significativa de comportamento entre os
eleitores.
Cleber Lourenço/ICL Notícias, com fotos: Reprodução
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