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13/10/2026
Lulistas favoráveis e Bolsonaristas contrários traçam estratégias para votação do fim da escala 6x1
BRASÍLIA, DF - O Senado terá uma semana decisiva para duas
das principais pautas do governo Luiz Inácio Lula da Silva (PT): o fim da
escala de trabalho 6x1 e a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) da Segurança
Pública. As duas matérias avançam em meio à disputa presidencial entre Lula e
Flávio Bolsonaro (PL), com o Palácio do Planalto empenhado em obter resultados
antes do segundo turno, marcado para 25 de outubro. Ontem, o presidente cobrou
posicionamento dos parlamentares e defendeu a redução da jornada de trabalho
sem diminuição salarial. A PEC 221/2019, que prevê a redução da jornada máxima
semanal de 44 para 40 horas, com dois dias de descanso remunerado, está pautada
para ser votada amanhã, em primeiro turno. O presidente do Senado, Davi
Alcolumbre (União-AP), marcou a análise após a realização das sessões de
discussão que faltam para cumprir o rito regimental. Lula, por sua vez,
demonstrou expectativa de que a proposta avance ainda nesta semana e acusou a
oposição de tentar adiar a votação para depois da eleição. "É um jogo, é pagar para ver. O cara pode não votar
favorável, mas ele paga o preço de não votar favorável. Eu sei que a oposição
está tentando protelar para depois das eleições, porque, depois das eleições,
eles vão ter coragem de votar contra. Eles, agora, estão com medo de votar
contra. Então, eu quero saber se eles vão votar contra", declarou o
presidente, em conversa com jornalistas após a missa em homenagem a Nossa
Senhora Aparecida. A declaração amplia a pressão sobre Flávio Bolsonaro, que se
posiciona contra o texto nos moldes defendidos pelo governo e sustenta uma
alternativa baseada na flexibilização das relações de trabalho. O candidato do
PL defende que a organização da jornada seja negociada entre empregados e
empregadores, enquanto Lula propõe a redução do tempo de trabalho sem perda de
remuneração. A divergência transformou a votação em um dos temas centrais da
campanha eleitoral. A oposição, entretanto, ainda discute como se posicionará no
plenário. Segundo o senador Wellington Fagundes (PL-MT), líder do bloco
oposicionista, a orientação defendida pelo coordenador da campanha de Flávio,
Rogério Marinho (PL-RN), é pela abstenção. Parte da bancada, porém, avalia que
os parlamentares devem assumir publicamente uma posição. A senadora Tereza
Cristina (PP-MS), escolhida para mediar as conversas com Alcolumbre, afirmou
que outros partidos oposicionistas também devem liberar seus integrantes para
votar conforme a própria avaliação. O tema deverá ser discutido em um almoço de parlamentares da
oposição na quarta-feira. Entre as alternativas em análise estão a liberação
das bancadas, a abstenção, a apresentação de emendas em plenário e estratégias
para dificultar a obtenção do quórum. O senador Carlos Portinho (PL-RJ)
criticou a iniciativa de antecipar a votação e classificou a PEC como uma
proposta eleitoreira. A posição da oposição poderá influenciar diretamente a
capacidade do governo de reunir os votos necessários para a aprovação. Para ser aprovada no Senado, a proposta precisa receber pelo
menos 49 votos favoráveis, o equivalente a três quintos dos 81 senadores, em
dois turnos. O texto já passou pela Câmara dos Deputados e pela Comissão de
Constituição e Justiça (CCJ) do Senado, onde o relator, Omar Aziz (PSD-AM),
rejeitou 36 emendas apresentadas durante a análise. Novas alterações ainda
podem ser propostas no plenário. Caso os senadores modifiquem o mérito da
matéria aprovada pelos deputados, a PEC terá de retornar à Câmara, o que pode
comprometer a conclusão da tramitação antes do segundo turno presidencial. O governo tenta acelerar o calendário para concluir a
votação ainda em outubro, mas a aprovação definitiva depende do cumprimento das
etapas regimentais ou da adoção de um calendário especial pelo plenário. Segurança pública Além da pauta trabalhista, o Senado deverá avançar na
discussão da PEC da Segurança Pública. A Comissão de Constituição e Justiça
(CCJ) marcou para amanhã, às 9h, a análise de três destaques — pedidos para
examinar separadamente trechos do texto — que ficaram pendentes após a
aprovação do texto-base, em 2 de setembro. A proposta, enviada pelo governo ao
Congresso em abril de 2025 e aprovada pela Câmara em março deste ano, busca
ampliar a integração entre União, estados e municípios no combate à criminalidade. O texto incorpora à Constituição o Sistema Único de
Segurança Pública (Susp), além de prever mecanismos de financiamento para as
políticas do setor e medidas de modernização das forças policiais. Também
contempla investimentos no sistema penitenciário e instrumentos para fortalecer
o enfrentamento às organizações criminosas. A articulação entre as forças
federais e estaduais, contudo, permanece entre os pontos controversos, diante
de preocupações de governadores com possíveis interferências nas competências
locais. Em entrevista coletiva ontem, Lula afirmou que a aprovação
da PEC permitirá ampliar a participação do governo federal na área e viabilizar
a criação de um Ministério da Segurança Pública. Segundo o presidente, a nova
estrutura deverá definir as atribuições da União e fortalecer a atuação
coordenada das instituições responsáveis pelo combate ao crime organizado. Ele
também defendeu investimentos em inteligência e o reforço da Polícia Federal,
da Polícia Rodoviária Federal e da Polícia Penal Federal. Lula informou que o governo mapeou 138 presídios estaduais
que poderão ser transformados em unidades de segurança máxima. A intenção é
restringir a capacidade de lideranças de facções criminosas de coordenar
atividades ilegais de dentro das prisões. O presidente citou organizações como
o Primeiro Comando da Capital (PCC) e o Comando Vermelho ao defender medidas
mais rigorosas contra grupos que mantêm influência sobre territórios e
atividades criminosas. Após a análise dos destaques na CCJ, a PEC da Segurança
Pública ainda precisará ser votada pelo plenário do Senado, também em dois
turnos e com o apoio mínimo de 49 parlamentares em cada etapa. Se houver
alterações de mérito em relação ao texto aprovado pela Câmara, a matéria
retornará aos deputados. O governo pretende concluir a tramitação antes de 25
de outubro, de modo a apresentar a segurança pública como uma das respostas de
sua gestão às preocupações do eleitorado. Com as duas propostas no centro das negociações, a semana
será marcada pela tentativa do Planalto de acelerar votações e pela resistência
de setores da oposição. No caso da escala 6x1, o resultado deverá expor a
posição dos senadores sobre uma das principais bandeiras trabalhistas de Lula.
Já na segurança pública, o desafio será conciliar o fortalecimento da atuação
federal com as divergências sobre a distribuição de competências entre os entes
federativos.
Correio Braziliense, com foto: Jonas Pereira/Agência Senado
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