27/10/2026

Deputados pedem ao STF bloqueio de bens e contas, prisão de Flávio Bolsonaro e alerta à Interpol



BRASÍLIA, DF - Os deputados federais Lindbergh Farias (PT-RJ) e Rogério Correia (PT-MG), com apoio de Ana Elisa (PT-MG) pediram ao Supremo Tribunal Federal (STF) a prisão preventiva de Flávio Bolsonaro e a inclusão do senador em alerta vermelho da Interpol. O pedido foi feito logo após o do filho do ex-presidente Jair Bolsonaro deixar o país  nesta terça-feira (27/10). 

“Ele está fugindo por vários motivos. Um deles é o Banco Master, que ele recebeu R$ 72 milhões. Está fugindo porque roubou uma ilha do Brasil através do governo do pai dele, lá em Angra dos Reis”, afirmou Rogério Correia nas redes sociais. “Estava foragido também porque, junto com Willer Tomaz, estava fazendo lavagem de dinheiro. E estava foragido porque ele estava articulando uma nova tentativa de caso ganhasse as eleições”. 

O argumento do pedido é que Flávio descumpriu a determinação de entrega dos passaportes à Polícia Federal. Os três deputados também pedem que a Procuradoria Geral da República (PGR) se manifeste com urgência, que a defesa informe o paradeiro do senador e que a Argentina forneça informações sobre a fuga. 

Em alternativa à prisão, caso Flávio seja encontrado no Brasil, o documento solicita o uso de tornozeleira econômica, recolhimento domiciliar e comparecimento periódico à Justiça. 

Descumprindo pronunciamento após o segundo turno, em que nega que deixaria o país e afirma que entregaria os passaportes, Flávio Bolsonaro fugiu do país na madrugada junto da esposa e das duas filhas. O irmão Eduardo, que já vive nos EUA desde 2025, defendeu a fuga dias antes do segundo turno. 

Alerta vermelho 

O alerta vermelho da Interpol não funciona como um mandado de prisão. A legislação dos EUA impede que uma pessoa seja presa apenas por estar no alerta vermelho da Interpol feito por outro país-membro. 

Caso o suspeito seja encontrado em território norte-americano, as autoridades locais devem analisar se há um pedido de extradição válido e exigir um pedido diplomático de prisão provisória. Só após esse pedido, o Ministério Público dos EUA pode emitir um mandado de prisão para que o suspeito foragido seja extraditado. 

Bloqueio de bens e contas 

A deputada federal Erika Hilton (Psol-SP) pediu nesta terça-feira (27/10) ao ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), o bloqueio de bens, valores e contas bancárias do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) e de sua mulher, Fernanda Bolsonaro. A parlamentar relaciona a solicitação a notícias sobre uma possível saída do senador do Brasil e ao inquérito que investiga suspeitas de lavagem de dinheiro envolvendo o advogado Willer Tomaz e empresas ligadas a ele. 

No documento encaminhado ao STF, Erika também solicita que o caso seja levado com urgência à Procuradoria-Geral da República (PGR). A deputada argumenta que medidas patrimoniais poderiam evitar prejuízos às investigações caso seja confirmado o risco de Flávio permanecer no exterior. A adoção das providências, porém, depende da avaliação das autoridades competentes e da existência de elementos que indiquem risco efetivo de fuga. 

A possibilidade de Flávio estar nos Estados Unidos foi mencionada por Simón Levy, aliado do presidente norte-americano Donald Trump. A informação aparece entre os elementos relacionados ao pedido da deputada, que também defende a extensão das medidas à mulher do senador. 

O Correio apurou que o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) chegou na tarde desta terça-feira (27/10) aos Estados Unidos. De acordo com fontes na Polícia Federal, a suspeita é de que a ação teria sido coordenada pelo secretário de Estado do governo Trump, Marco Rubio.

Investigação apura suspeita de lavagem de dinheiro 

A petição apresentada por Erika Hilton retoma informações de uma investigação da Polícia Federal sobre suspeitas de lavagem de dinheiro envolvendo Willer Tomaz, Flávio Bolsonaro e empresas associadas ao advogado. 

Segundo os elementos citados no documento, dados obtidos após a quebra do sigilo telemático de Tomaz indicariam que o senador foi cadastrado como “usuário master” de uma conta bancária da Alcazar Holdings, empresa vinculada ao advogado. 

A parlamentar também menciona registros de encontros entre Flávio e Tomaz, documentos pessoais do senador encontrados no serviço de armazenamento iCloud do advogado e viagens que teriam sido custeadas pela Cathedral, outra empresa ligada a Tomaz. 

Esses elementos são apresentados na petição como parte do conjunto de informações que justificariam a solicitação de medidas cautelares. As suspeitas investigadas, contudo, não equivalem a uma comprovação de responsabilidade criminal. 

Erika Hilton acusa senador de tentar evitar a Justiça 

Nas redes sociais, a deputada afirmou que a possível saída de Flávio do país exige atenção das autoridades. Ela também associou o pedido a declarações do senador sobre o resultado das eleições e a manifestações anteriores de seu irmão, o ex-deputado Eduardo Bolsonaro. “Frente às notícias de fuga de Flávio Bolsonaro, estou pedindo o bloqueio de seus bens, de suas contas bancárias e também as de sua esposa”, escreveu Erika. 

A parlamentar acusou o senador de buscar proteção contra eventuais consequências judiciais e afirmou que uma permanência no exterior poderia ampliar sua capacidade de influenciar outros países contra as instituições brasileiras. “Ele concorreu para se blindar da Justiça”, declarou a deputada, ao criticar a atuação política de Flávio e mencionar a possibilidade de concessão de perdão a pessoas investigadas ou condenadas, entre elas o pai do senador, Jair Bolsonaro. 

Erika também defendeu que as autoridades atuem rapidamente para impedir o que considera um risco às investigações. Na publicação, afirmou que Flávio não deveria ter acesso a recursos públicos enquanto persistissem as suspeitas levantadas por ela. O pedido agora depende da análise das autoridades competentes. 

Correio Braziliense, com foto: Valter Campanato/Agência Brasil

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