|
28/10/2026
Flávio Bolsonaro recua e se diz “líder”, ao invés de se auto proclamar “presidente eleito do Brasil”
MIAMI, EUA - Após publicar uma carta nesta quarta-feira
(28/10) em que diz ser o “verdadeiro presidente do Brasil”, o senador Flávio
Bolsonaro (PL-RJ) mudou o texto e passou a se chamar de “líder” do país. Leia a
íntegra da versão atualizada no fim desta matéria. O documento foi a primeira declaração de Flávio após fugir
para os Estados Unidos depois de perder o segundo turno da eleição para Lula
(PT) e ter o passaporte confiscado por pedido da Polícia Federal. Minutos após publicar a primeira versão nas redes sociais,
ele apagou e publicou a carta com a mudança na apresentação. “Dirijo-me ao povo
brasileiro e à comunidade internacional como o líder do Brasil”, iniciou. Em outro trecho, Flávio dizia, na primeira publicação: “Eu
sou o presidente eleito e os criminosos que roubaram a eleição do Brasil são
parte de uma organização criminosa que implementou uma tirania”. A nova versão
ficou assim: “Eu sou o líder e os criminosos que roubaram a eleição do Brasil
são parte de uma organização criminosa que implementou uma tirania”. Acusação de fraude Para Flávio Bolsonaro, a virada de Lula foi a concretização
de uma “impossibilidade matemática”. “Ao longo de toda a campanha, houve abuso
de poder político, econômico e uso da máquina pública em favor da reeleição.
São fatos graves, expressamente vedados por lei, que justificam a cassação da
chapa Lula-Alckmin”, avaliou. O documento foi divulgado inicialmente por aliados de
Flávio, como o blogueiro Paulo Figueiredo, que vive nos Estados Unidos. A
versão inicial usava um brasão de armas antigo que grava o nome do país como
“Estados Unidos do Brazil”. O símbolo deixou de ser usado em 1968, quando foi
instituída a República Federativa do Brasil. O texto começa com agradecimentos ao presidente da
Argentina, Javier Milei, “pela coragem, senso de justiça e legalidade”, e ao
presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, bem como “ao maravilhoso povo
americano”, pelo acolhimento. As citações levam a crer que os líderes
acobertaram a fuga de Flávio, que estava com o passaporte cancelado. Sobre os Estados Unidos, ele escreveu: “Essa é uma terra de
liberdades e irmãos que comungam dos mesmos valores das boas pessoas do meu
país. O presidente Trump é um grande defensor da liberdade de expressão”. “Não era minha intenção deixar minha pátria, mas eu sei
exatamente onde isso vai dar. Isso é o manual clássico de qualquer golpe de
Estado. A perseguição política que começou com meu pai, o ex-presidente Jair
Bolsonaro, e se espalhou para milhares de outros brasileiros patriotas comuns e
até mesmo cidadãos americanos, tem um único objetivo: silenciar qualquer pessoa
que não concorde com o regime de exceção instaurado no Brasil, através de uma
Suprema Corte aparelhada pela organização criminosa petista”, acusou o
candidato derrotado. Senador nega fuga do Brasil Flávio disse que não fugiu do Brasil, mas deixou o país
“para poder ser o líder que o meu povo merece”. Ele se comparou com líderes
históricos exilados, como Rui Barbosa, Charles de Gaulle e José Martí. Também
citou Juan Guaidó, opositor de Nicolás Maduro que se autoproclamou presidente
da Venezuela em 2019. “Este é apenas o começo da nossa luta pela democracia, pelos
direitos humanos e pela liberdade no Brasil. Quero dizer, não só para os meus
60 milhões de eleitores, mas para o povo brasileiro, que eu sou o presidente
eleito e os criminosos que roubaram a eleição do Brasil são parte de uma
organização criminosa que implementou uma tirania”, completou. O senador não
chegou aos 60 milhões de votos - teve 59,8 milhões. Lula venceu com 64,2
milhões. Flávio concluiu a carta dizendo que vai liderar a oposição
direto dos EUA, mobilizando a massa de apoio para uma luta que “só termina
quando o Brasil voltar a ser um país livre”, em insinuação de que pode seguir
os caminhos do pai e promover outra tentativa de golpe de Estado após uma
derrota nas urnas. “Este é apenas o começo da nossa luta pela democracia, pelos
direitos humanos e pela liberdade no Brasil. Nos próximos dias, vou me dirigir
regularmente ao povo brasileiro, e apresentaremos uma estratégia para mobilizar
a oposição e o imenso apoio popular que temos, por todos os meios pacíficos e
legítimos, para impedir que Lula consolide um regime ditatorial no Brasil. Peço
a cada um que permaneça firme e jamais desista”, afirmou. Leia a íntegra da carta atualizada "Dirijo-me ao povo brasileiro e à comunidade
internacional como o líder do Brasil. Antes de mais nada, queria agradecer ao Presidente Milei,
pela coragem, senso de justiça e legalidade, ao Presidente Trump e ao
maravilhoso povo americano por me acolher. Essa é uma terra de liberdades e
irmãos que comungam dos mesmos valores das boas pessoas do meu país. O
Presidente Trump é um grande defensor da liberdade de expressão. Na noite de domingo, vi estarrecido uma fraude eleitoral
se concretizar diante dos meus olhos. A atuação ilegítima e ilegal do
ex-advogado do Lula permitiu que uma impossibilidade matemática se
concretizasse e Lula acrescentasse mais de 10 milhões de votos do primeiro para
o segundo turno. Uma decisão do STF, tomada por cima da competência do TSE,
estendeu a votação no apagar das luzes, e a ordem só chegou depois do fim do
horário legal, quando as urnas já estavam encerradas. Eleitores ficaram
submetidos a regras diferentes. Até agora, o TSE se limitou a defender a
prorrogação do horário e não há sequer uma única resposta crível. E as
nulidades não são o único problema. Ao longo de toda a campanha, houve abuso de
poder político, econômico e uso da máquina pública em favor da reeleição. São
fatos graves, expressamente vedados por lei, que justificam a cassação da chapa
Lula-Alckmin. A resposta do regime ao meu questionamento veio rápida.
Como num plano previamente elaborado, sete minutos após essa repugnante fraude
eleitoral, o juiz, implicado em um imenso escândalo de corrupção, diretamente
citado no inquérito que usou para tentar sequestrar meus passaportes, e que
muito provavelmente estaria preso, se eles não tivessem impedido a minha posse,
pôs em andamento a máquina de perseguição política do regime. Sendo impedido de
origem e completamente suspeito para iniciar qualquer procedimento judicial
contra mim, a sua mera participação em atos processuais mostra o tamanho da
arbitrariedade e ilegalidade em andamento. Não era minha intenção deixar minha pátria, mas eu sei
exatamente onde isso vai dar. Isso é o manual clássico de qualquer golpe de
Estado. A perseguição política que começou com meu pai, o ex-presidente Jair
Bolsonaro, e se espalhou para milhares de outros brasileiros patriotas comuns e
até mesmo cidadãos americanos, tem um único objetivo: silenciar qualquer pessoa
que não concorde com o regime de exceção instaurado no Brasil, através de uma
Suprema Corte aparelhada pela organização criminosa petista. Para deixar claro, não existe nenhum mandado de prisão
contra mim, porque eu não cometi nenhum crime. O que existe é uma caça às
bruxas politicamente motivada, que visava me colocar como refém e objeto de
chantagem para proteger os juízes corruptos da Suprema Corte do impeachment.
Eis o roteiro da perseguição: apreensão de passaporte, tornozeleira eletrônica,
censura, prisão domiciliar, julgamento de fachada e, finalmente, condenação
política. Não vou submeter minha família a isso e meu país não
merece passar novamente por este vexame internacional. Diante da
instrumentalização política da Justiça no Brasil, trouxe minha família para os
Estados Unidos, onde estamos em segurança. Agradeço, mais uma vez, ao
Presidente Trump e ao governo americano por nos acolherem e nos darem a
segurança jurídica que não temos mais no Brasil. Quero deixar claro: não fugi do Brasil, eu saí pelo
Brasil, saí de um regime de exceção para poder ser o líder que o meu povo
merece, pois calado, preso e censurado, como meu pai está, eu não poderia ser
essa liderança e seríamos entregues ao teatro institucional de uma oposição
castrada e controlada pela Suprema Corte repleta de serviçais do regime. Não sou o primeiro a ter que lutar pelo próprio país
longe dele. Rui Barbosa foi para o exílio por enfrentar o arbítrio de Floriano
Peixoto e de lá seguiu defendendo a lei e a liberdade. Charles de Gaulle
liderou a França Livre a partir de Londres, condenado à morte pelo regime de
Vichy, e voltou para libertar o seu país. José Martí organizou a luta pela
independência de Cuba a partir de Nova York. Na Venezuela, Juan Guaidó e
Edmundo González tiveram que deixar o país por enfrentar a ditadura chavista, e
María Corina Machado, mesmo perseguida, se recusou a legitimar a fraude e se
tornou um símbolo mundial da resistência democrática. Todos eles foram tratados
como criminosos pelos regimes que enfrentavam. A história os chamou de outra
coisa. Este é apenas o começo da nossa luta pela democracia,
pelos direitos humanos e pela liberdade no Brasil. Quero dizer, não só para os
meus 60 milhões de eleitores, mas para o povo brasileiro, que eu sou o líder e
os criminosos que roubaram a eleição do Brasil são parte de uma organização
criminosa que implementou uma tirania. Vocês que almejavam a mudança, e eu não
vou abandoná-los, eu serei a voz e a liderança livre da nossa nação. Às instituições brasileiras, faço um apelo: essa sandice
precisa acabar. O Brasil vive hoje um caos jurídico, de corrupção e de
perseguição política, em que a oposição tem medo de falar e a família de um
ex-presidente é tratada como inimiga do Estado. Nenhuma nação consegue viver em
paz ou prosperar assim. Ainda há tempo de restabelecer o equilíbrio entre os
Poderes e devolver aos brasileiros a confiança que perderam. À comunidade internacional, peço: não normalizem o que
está acontecendo no Brasil. O que acontece hoje no meu país não é normal e não
pode ser tratado como normal. Aos senadores, deputados e governadores que ajudei a
eleger, e em especial ao meu candidato à presidência do Senado, Rogério
Marinho: sei que hoje vocês não têm a liberdade necessária para o pleno
exercício da atividade política. Por isso, liderarei a oposição daqui. Direi o
que vocês, aí, não podem dizer, e assumirei os riscos que vocês não podem
correr. E a você, que votou em mim e sonha com a mudança: não
estamos derrotados e não estamos sozinhos. Este é apenas o começo da nossa luta
pela democracia, pelos direitos humanos e pela liberdade no Brasil. Nos
próximos dias, vou me dirigir regularmente ao povo brasileiro, e apresentaremos
uma estratégia para mobilizar a oposição e o imenso apoio popular que temos,
por todos os meios pacíficos e legítimos, para impedir que Lula consolide um
regime ditatorial no Brasil. Peço a cada um que permaneça firme e jamais
desista. Saí do Brasil, mas não abandonei os brasileiros. Esta
luta não terminou no dia 25 de outubro. Ela só termina quando o Brasil voltar a
ser um país livre. E esse dia vai chegar. Que Deus abençoe o Brasil. Flávio Bolsonaro"
EM, com foto: Joédson Alves/Agência Brasil
|