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03/11/2026
Senado aprova PEC da Segurança Pública; redução da maioridade penal será analisada à parte
BRASÍLIA, DF - O Senado aprovou nesta terça-feira (3) a PEC
18/2025, conhecida como PEC da Segurança Pública, que visa ampliar a integração
entre os órgãos de segurança e fortalecer o combate ao crime organizado. A PEC
foi aprovada por unanimidade, com 73 votos favoráveis em primeiro turno e 75 em
segundo turno. Com isso, a emenda será promulgada. Emendas que tratavam da redução da maioridade penal acabaram
sendo desmembradas do texto e passarão a tramitar como proposta autônoma. O desmembramento foi aprovado com um placar apertado, 38
votos a 36. Senadores oposicionistas defendiam a votação das emendas. O líder
do MDB, senador Eduardo Braga (MDB-AM), sugeriu que as novas propostas sejam
analisadas em calendário especial pelo Plenário. O presidente do Senado, Davi
Alcolumbre, se comprometeu a dar celeridade à votação das PECs paralelas. “A Secretaria-Geral da Mesa não vai encaminhar [as
propostas] para a Comissão de Constituição e Justiça. Nós vamos aguardar o
requerimento do calendário especial. Vossas Excelências têm que construir qual
é o texto que vai ser votado”, disse o presidente do Senado. A PEC, de iniciativa do Executivo, foi aprovada em
calendário especial, com a dispensa de prazos e sessões de discussão. O
relator, senador Rogério Carvalho (PT-SE), rejeitou outros pedidos de mudança,
para evitar que o texto tivesse que voltar à Câmara dos Deputados. “Isso impediria a promulgação imediata e atrasaria o
atendimento de necessidades inadiáveis da população brasileira, que clama por
mais segurança pública”, explicou o relator. Entre os principais pontos da proposta aprovada está a
inclusão do Sistema Único de Segurança Pública (Susp) na Constituição. A PEC
também amplia a participação do governo federal no setor e estabelece regras
para a criação de polícias municipais. Além disso, traz medidas mais rigorosas
contra integrantes de facções criminosas e milícias, proteção às vítimas e mais
recursos para a segurança pública. Maioridade penal A discussão em Plenário se concentrou na redução da
maioridade penal, que não fazia parte da proposta, mas era objeto de duas
emendas. Ao propor a tramitação das duas como uma PEC paralela, o relator disse
considerar que a redução da maioridade penal é tema estranho ao texto, o
chamado “jabuti”. Rogério Carvalho também destacou a “forte divergência
doutrinária e política” sobre a maioridade penal e lembrou que a Câmara dos
Deputados já constituiu, em agosto deste ano, uma comissão especial sobre o
tema para tratá-lo com o aprofundamento técnico que exige. “Acatar a Emenda 84, de Plenário, numa PEC apreciada sob o
rito de calendário especial suprimiria as instâncias de debate adequadas,
tratando de assunto extremamente complexo em texto com objetivo diverso”, avaliou. A emenda à qual se referiu o relator foi apresentada pelo
líder da oposição, senador Rogerio Marinho (PL-RN). O texto buscava reduzir a
idade de responsabilização penal para 16 anos como regra geral e para 14 anos
nos casos de crimes hediondos, tortura, tráfico de drogas, terrorismo e
participação em organizações criminosas. Rogerio Marinho discordou que o tema fosse um jabuti, já
que, para ele, maioridade penal faz parte da segurança pública. Ele também
argumentou que o fatiamento da PEC impediria a discussão e votação das emendas. “O relator propõe que, na prática, este Plenário seja
cerceado, seja emudecido, que haja uma procrastinação, que se coloque para
adiante, que não se permita que a discussão aconteça”, criticou. A outra emenda sobre redução da maioridade penal foi
apresentada pelo líder do PT, senador Camilo Santana (PT-CE). Pelo texto, a
redução para 16 anos valeria apenas para os crimes hediondos. Divergência O senador Alessandro Vieira (MDB-SE) ponderou que havia um
consenso sobre a necessidade de mudanças na maioridade penal, apoiadas
inclusive pelo presidente Lula, e defendeu que as emendas fossem colocadas em
votação. Senadores de oposição, como Carlos Portinho (PL-RJ) e Efraim Filho
(PL-PB), protestaram contra o desmembramento das emendas e pediram que fossem
votadas pelo Plenário. “É inadmissível que sejam retirados dos senadores e
senadoras o direito e a prerrogativa do mandato. O argumento mais esdrúxulo que
eu já vi ser colocado aqui é o de que a matéria era estranha. Aqui a gente sabe
o que é jabuti, a gente já lidou com muitos deles diversas vezes, e este não é
um caso de matéria estranha”, disse Efraim. Para a líder do governo, senadora Teresa Leitão (PT-PE), era
natural que se aprovasse a parte consensual do texto. “A luta política sobre a PEC da segurança não existe. Todos
concordamos com ela. Nós podemos ter uma aprovação unânime ou quase unânime da
PEC da segurança, assim como tivemos na PEC 6x1”, disse a líder, ao defender o
desmembramento. Tanto Jaques Wagner (PT-BA) quanto Eliziane Gama (PSD-MA)
destacaram que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva já afirmou ser a favor de
mudanças nas regras sobre maioridade penal. O que prevê a PEC A PEC aprovada prevê medidas mais rigorosas contra
integrantes de facções criminosas, milícias e organizações paramilitares, com
punições proporcionais à posição de cada integrante na hierarquia desses
grupos. Entre as medidas estão o cumprimento obrigatório de pena em
estabelecimentos de segurança máxima, restrições à progressão de regime e a
benefícios processuais, além da possibilidade de confisco de bens ligados a
atividades criminosas. O texto também estabelece a responsabilização de pessoas
jurídicas envolvidas com essas organizações e amplia a proteção a denunciantes
e familiares. Para as vítimas de crimes, assegura direitos como assistência,
informação, acesso à Justiça e participação no processo penal, com atenção
especial às mulheres. Outra mudança é o fortalecimento da cooperação entre União,
estados, Distrito Federal e municípios no combate à criminalidade. A PEC
incorpora o Sistema Único de Segurança Pública (Susp) à Constituição e prevê
ações conjuntas, compartilhamento de informações e integração dos sistemas
utilizados pelos órgãos de segurança. A proposta também permite a criação de polícias municipais,
sujeitas a critérios de formação, capacidade financeira e fiscalização. Além
disso, amplia as atribuições da Polícia Rodoviária Federal (PRF) para incluir o
policiamento de ferrovias e hidrovias federais e institui o Sistema de
Políticas Penais, com novas regras para a atuação das polícias penais. Em relação ao financiamento, a PEC protege os recursos dos
fundos nacionais de Segurança Pública (FNSP), Penitenciário (Funpen) e de
Aparelhamento e Operacionalização das Atividades-Fim da Polícia Federal
(Funapol) contra bloqueios e desvios de finalidade, ressalvadas exceções
previstas no texto. Também destina ao setor 10% do superávit do Fundo Social. Emendas A proposta foi aprovada com emendas consideradas de redação.
Uma delas, sugerida pelo senador Carlos Portinho, possibilita que as Forças
Armadas recebam ressarcimento, em operações de Garantia da Lei e da Ordem, com
recursos do Fundo Nacional de Segurança Pública. Outras emendas que haviam sido apresentadas em Plenário
foram rejeitadas pelo relator. Duas delas, do senador Eduardo Gomes (PL-TO),
incluíam no artigo da Constituição que trata dos órgãos da segurança pública os
órgãos do sistema socioeducativo dos estados e do Distrito Federal e os agentes
de trânsito, além de reconhecer o patrulhamento viário como atividade de
natureza policial. Também foi rejeitada emenda do senador Dr. Hiran (PP-RR)
sobre a autonomia da polícia científica, que já faz parte de outra proposta, a
Proposta de Emenda à Constituição (PEC) 76/2019, aprovada pelo Senado em 2025. Durante a análise da Comissão de Constituição e Justiça
(CCJ), o relator já havia suprimido do texto o repasse gradual de 10% a 30% da
arrecadação das bets para financiar o Fundo Nacional de Segurança Pública e o
Fundo Penitenciário Nacional. A mudança foi feita antes da edição da medida
provisória que proibiu as bets, para evitar a menção a elas na Constituição.
Agência Senado, com foto: Jonas Pereira/Agência Senado
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