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14/01/2026
Moraes nega mais um recurso da defesa de Bolsonaro, que alegou violação de direitos humanos
BRASÍLIA, DF - O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo
Tribunal Federal (STF), negou nesta terça-feira (13) mais um recurso
apresentado pela defesa do ex-presidente Jair Bolsonaro, que buscava novamente
reverter a pena de 27 anos e três meses de prisão à qual ele foi condenado por
liderar uma tentativa de golpe de Estado. Os advogados de Bolsonaro protocolaram o novo recurso na
segunda (12). No agravo regimental, a defesa pleiteava levar o caso para
discussão no plenário do Supremo, alegando que o Regimento Interno do Supremo
não prevê quórum mínimo para que o colegiado julgue recursos contra decisões
das turmas. Bolsonaro foi condenado pela Primeira Turma do Supremo em
setembro. Pouco depois, a defesa entrou com uma apelação do tipo embargos
infringentes, que permite à defesa insistir pela absolvição e usar argumentos
de algum voto divergente. No caso, o único voto divergente foi do ministro Luiz
Fux, que se posicionou pela absolvição do ex-presidente e a anulação do caso. Moraes, contudo, negou andamento aos infringentes. Ele
justificou a decisão afirmando que a jurisprudência do Supremo, ao menos desde
2017, estabeleceu a necessidade de no mínimo dois votos divergentes para que
esse tipo de embargo seja aceito. Na segunda, os advogados alegaram que em nenhuma parte do
Regimento Interno pode ser encontrada essa limitação de quórum, e que negar o
direito de Bolsonaro ser julgado pelo plenário seria uma violação de direitos humanos,
por impossibilitar que o ex-presidente tenha acesso ao duplo grau de
jurisdição. Na decisão desta terça, Moraes não chegou a analisar o
mérito dos argumentos da defesa. O ministro-relator negou andamento ao apelo
afirmando ser “absolutamente incabível juridicamente a interposição desse
recurso após o trânsito em julgado do Acórdão condenatório”. Atualmente, Bolsonaro está preso em uma sala especial nas
instalações da Polícia Federal (PF) em Brasília. O ex-presidente já obteve
autorização mais de uma vez para ser deslocado a um hospital particular,
inclusive para a realização de uma cirurgia de hérnia inguinal. Por diversas vezes, a defesa pediu autorização para que
Bolsonaro cumpra pena em casa, por motivos humanitários de saúde, mas todas
foram negadas por Moraes. Para o ministro, a lei não permite a concessão do
benefício, pois a PF teria condições de oferecer atendimento adequado ao
ex-presidente. Bolsonaro foi condenado por cinco crimes: liderar
organização criminosa armada, tentativa de golpe de Estado, tentativa de abolir
o Estado Democrático de Direito, dano qualificado e deterioração do patrimônio
tombado. Os últimos crimes estão ligados aos atos golpistas de 8 de janeiro de
2023, quando apoiadores do ex-presidente invadiram e depredaram as sedes dos
Três Poderes da República.
Felipe Pontes/Juliana Andrade – Agência Brasil, com foto: Gustavo Moreno/STF
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