|
26/01/2026
Empresário é indiciado por feminicídio após forjar acidente de personal trainer com quem namorava
DIVINÓPOLIS, MG - A Polícia Civil de Divinópolis, no
Centro-Oeste de Minas Gerais, concluiu o inquérito da morte da personal shopper
Henay Rosa Gonçalves Amorim, de 31 anos, ocorrida em 14 de dezembro de 2025,
descoberta após o namorado, o empresário Alisson de Araújo Mesquita, de 43
anos, forjar um acidente, batendo o carro em que estavam contra um ônibus de
turismo, na rodovia MG-050, próximo a Itaúna. Alisson, segundo o delegado João Marcos do Amaral, está
sendo indiciado por feminicídio circunstanciado por asfixia, com atenuantes de
dificultar a defesa da vítima e por fraude processual, por ter adulterado a
cena do crime, um apartamento. Segundo o delegado, a investigação foi longa e os agentes
tiveram o cuidado maior de reunir provar. A mais importante delas, ressalta o
policial, seriam as cenas do apartamento em que o casal estava que, apesar de a
câmera ter sido retirada pelo empresário, os peritos conseguiram recuperar as
imagens. O empresário está preso desde 15 de dezembro de 2025. Ele
foi preso no velório, depois que o perito desconfiou dos ferimentos encontrados
no corpo de Henay, que não eram compatíveis com o acidente. Os policiais foram
até o velório e conversaram com um irmão da vítima, que ajudou na prisão do
empresário. O crime De acordo com o delegado, Henay foi vítima de feminicídio.
Ela foi morta apartamento em Belo Horizonte, no Bairro Nova Suissa, onde o
casal teria participado de uma festa, com amigos da personal shopper. Depois de cometer o crime, Alisson levou o corpo até o
interior do veículo. De BH seguiram para Divinópolis. Após passar pelo pedágio,
em Itaúna, o empresário provocou, de forma intencional, uma colisão com um
ônibus, com o objetivo de simular um acidente. As suspeitas de que a morte não teria sido em função do
acidente, mas sim um feminicídio, foram levantadas por um perito, que disse que
as contusões não eram compatíveis com a batida. O empresário foi preso ainda no
velório da namorada e o sepultamento teve que ser adiado, pois o corpo foi
recolhido para novos exames no Instituto Médico Legal (IML). O suspeito está preso no Presídio Floramar, em Divinópolis.
O casal tinha um relacionamento havia cerca de um ano. Relato O relato da funcionária da praça de pedágio acendeu a
desconfiança da polícia. Uma filmagem mostra o momento em que Alisson está no
banco do passageiro do carro e paga o pedágio. No banco do motorista está
Henay, aparentemente desacordada. Mas o carro arranca e sai para dar
continuidade à viagem. Na verdade, Alisson estava dirigindo o veículo. Em depoimento, a funcionária da concessionária explicou o
que viu. “Observei a mulher desacordada no banco do motorista, enquanto o
companheiro, com lesões aparentes e em estado de nervosismo, conduzia o
automóvel a partir do banco do passageiro, recusando ajuda e deixando o local
rapidamente”. O crime A investigação mostrou que o crime ocorreu na noite anterior
no apartamento onde o casal residia, em BH. Houve uma discussão entre o casal,
quando Alisson agrediu Henay e a teria asfixiado. Numa perícia realizada no apartamento do Bairro Nova Suissa,
foram encontrados vestígios de sangue na maçaneta, sofá e no chão. As imagens de câmeras do condomínio, que foram recuperadas,
mostram o momento em que o investigado desce até a garagem carregando o corpo
da mulher e o coloca no banco do motorista do veículo. As imagens também revelam que o carro deixa o condomínio,
com Henay no banco do motorista, e Alisson no do passageiro, mas segundo o
delegado, é ele quem conduz o veículo. Do apartamento, Alisson seguiu para Divinópolis. Uns dez
minutos depois de passar pelo pedágio, na altura do km 90 da MG-050, ele jogou
o carro na contramão e provocou a batida em um ônibus. O plano era fazer com
que o acidente, forjado, culminasse na morte de Henay. Provas O delegado João Marcos conta que os laudos médico-legais
foram determinantes para o esclarecimento do caso. “A necropsia apontou como
causa da morte a asfixia por constrição cervical externa, com sinais de
esganadura, associada a traumatismo cranioencefálico contuso, afastando a
hipótese de óbito decorrente do acidente”. Os policiais conseguiram, também, reunir provas de violência
doméstica. Existiam registros policiais, depoimentos, prontuários médicos,
mensagens e vídeos que demonstraram agressões anteriores, incluindo episódios
de esganadura registrados, em vídeo, em agosto do ano passado. Contra o empresário existem ainda registros de histórico de
violência doméstica contra outra mulher, com quem manteve relacionamento antes
de Henay, inclusive com pedidos de medidas protetivas. “Após o crime, o suspeito retornou ao apartamento e retirou
uma câmera de monitoramento interno, numa tentativa de eliminar provas. Na
condição de síndico, ele tinha acesso ao sistema de câmeras e às gravações do
prédio. No celular dele foram encontradas pesquisas sobre acidentes fatais,
medicina legal e jurisprudência”, afirma o delegado João Marcos do Amaral
Ferreira. O chefe do 7º Departamento de Polícia Civil, delegado Flávio
Tadeu Destro, ressalta que a atuação integrada das equipes policiais para o
sucesso das investigações. “A troca imediata de informações, ainda durante o
velório, aliada ao empenho dos policiais, possibilitou a prisão em flagrante e
impediu que a tentativa de simulação se consolidasse”. As investigações foram conduzidas pela equipe da Delegacia
de Polícia Civil em Itaúna, com apoio da Agência de Inteligência do 7º
Departamento e do Departamento Estadual de Investigação de Homicídios e
Proteção a Pessoa (DHPP) em Belo Horizonte, responsável pelos levantamentos no
apartamento do casal.
EM, com fotos: Divulgação/PMRv
|