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03/02/2026
Ministério Público Militar pede que Bolsonaro e mais 4 militares condenados por atos golpistas percam a patente
BRASÍLIA, DF - O Superior Tribunal Militar (STM) recebeu
nesta terça-feira (3) pedido do Ministério Público Militar (MPM) para que o
ex-presidente Jair Bolsonaro, três generais do Exército e um almirante da
Marinha sejam expulsos das Forças Armadas em função da condenação na ação penal
da trama golpista. O MPM entrou com ações de perda do oficialato contra
Bolsonaro, que é capitão da reserva do Exército, os generais da reserva Augusto
Heleno, Paulo Sergio Nogueira, Braga Netto e o almirante Almir Garnier. Todos
foram condenados pelo Supremo Tribunal Federal (STF) na ação penal do núcleo
crucial da trama golpista. A medida do MPM foi tomada após o Supremo declarar, no ano
passado, o trânsito em julgado das condenações, ou seja, reconhecer o fim da
possibilidade de recorrer e determinar a prisão do ex-presidente e dos demais
condenados. De acordo com a Constituição, o oficial das Forças Armadas
pode ser expulso no caso de condenação criminal superior a dois anos de prisão.
No caso do processo da trama golpista, as penas de Bolsonaro e dos demais
acusados variam entre 19 e 27 anos de prisão. Se a perda das patentes for decretada pelo STM, o salário
que Bolsonaro e os demais militares recebem será repassado para a esposa ou
filhas em forma de pensão. O benefício é conhecido como "morte ficta"
e está previsto na legislação das Forças Armadas desde 1960. O tribunal militar é composto por 15 ministros, sendo cinco
civis e dez militares, cujas cadeiras estão distribuídas entre quatro vagas
destinadas ao Exército, três à Marinha e três à Aeronáutica. Relatores Após o MPM protocolar as ações, o tribunal definiu
eletronicamente os relatores dos processos. A ação contra Bolsonaro será
relatada por um ministro oriundo da Aeronáutica. O processo contra o general
Braga será relatado por um ministro da cadeira do Exército. Bolsonaro: ministro Carlos Vyuk Aquino (Aeronáutica); Almirante Garnier: ministra Veronica Sterman (Civil); General Paulo Sergio Nogueira: ministro Barroso Filho
(Civil); General Heleno: ministro Celso Luiz Nazareth (Marinha); General Braga Netto: ministro Flavio Marcus Lancia
(Exército). Julgamento Em coletiva de imprensa, a presidente do STM, ministra Maria
Elisabeth Rocha, explicou que o tribunal não tem prazo legal para julgar as
ações. A presidente disse que vai pautar os processos para
julgamento imediatamente após os relatores liberarem os casos para julgamento.
De acordo com as regras internas do STM, a presidente só vota em caso de empate
e sempre a favor do réu nas ações de perda do oficialato. "Não pretendo procrastinar o julgamento de questões tão
relevantes que são submetidas à apreciação dessa Corte", afirmou.
André Richter/Juliana Andrade – Agência Brasil, com foto: Ton Molina/STF
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